sábado, 24 de maio de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ora, pois!

Bem.
Coimbra decididamente não tem nenhum monumento arquitetônico historicamente importante, não é(e nem deve ser) destino dos mochileiros de todas as galáxias, a língua falada é o velho e bem conhecido português(ainda que com um sotaque deveras irritante), você nunca encontra filtros públicos quando precisa, e a cidade, de 200 mil habitantes, é a terceira maior cidade de Portugal.Isso já diria tudo, se não fosse uma cidade profundamente...apaixonante.
Em primeiro lugar, logo que você chega, na estaçãozinha de Coimbra A, dá de cara com o Mondego.E o Mondego é o riozinho mais cuti cuti bonitinho, limpinho e charmoso do mundo conhecido.Que me desculpem os Romanos, mas o tal do Tibre, fedido, poluído, mal arrumado e sem graça, não tem nem comparação.
Ainda no caminho do Mondego, você passa por uma fileira de árvores que criam uma sombra tão gostosa, ali, com o coreto de flores, um barquinho ancorado no meio do rio, que parece um quadro daqueles que a gente coloca na sala de estar e viram quebra-cabeças.
Em direção as docas, você passa pelo Irish (barzinho, que diz a lenda, é frequentado pelo The Edge), e outros barzinhos, bem como pela sorveteria.Aos sábados e domingos tudo fica cheio(no conceito Coimbra de ser), o parquinho com as criancinhas, cachorros, pedalinhos, barcos à vela, pessoas bebendo vinho e fazendo pic nics, etc, etc.No cubo da leitura, você pode pegar um livro,uma cadeira e uma almofada, para ler na grama, desfrutando do silêncio que só Portugal sabe fazer.
Mas...Você pode ir estudar num dia qualquer e dar de cara com uma guerra de tomates.Ou com um cara fantasiado de Capitão Gancho.Ou participar de gincanas e ganhar máquinas fotográficas.Ou dar de cara com pessoas de bicicleta descendo as monumentais(tem que ser MUITO corajoso).
Sem falar na tradicionalíssima queima das fitas.É uma calourada altamente organizada, sendo que, no primeiro e melhor dia, dos cortejos, 83 carros alegóricos oferecem bebida(cerveja, vinho, batida, whisky, etc, etc) e comida(sanduíche, batata frita) de graça.Ou seja, todo mundo fica muito bêbado e acaba caindo no Mondego.Nos outros dias têm shows de gente do mundo inteiro, um deles o conterrâneo Gabriel O Pensador.
Roma, na minha opinião, é a imagem viva da decadência.De um povo que já foi muito foda, e até hoje fica se congratulando pelo que passou.Sim, eles tem o Coliseu.Mas também tem um sistema de transporte porco, uma cidade porca e feia e um povinho metido a besta, barulhento e ignorante.A imagem que os filmes passam dos italianos não sei da onde surgiu, mas de Roma é que não foi.
Não que os portugueses sejam muito legais.Mas sabem fazer, de uma cidade pobre(comparando com a média das cidades européias), sem grandes atrações turísticas(além da Faculdade de Direito, e olhe lá)um centro universitário poderoso, cosmopolita e uma cidade charmosíssima, limpa, original e divertida.Não, Coimbra não é, definitivamente, para passear.Mas viver aqui é muito bom.
PS: A capa do blog, a foto aí em cima, é do caminho do Mondego.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ahhh... Roma è bella, dai!

Me diga aí em que lugar do mundo você respira a história. Em que lugar do mundo você passeia pela casa de antigos imperadores, anda pelos fóruns e ainda encontra o sangue de Caesar? Em que lugar do mundo você deixa de ver que o Coliseu era um lugar em que morriam pessoas e consegue enxergar a grandeza imponente e a importância daquela construção.
Em que lugar do mundo você encontra uma das primeiras igrejas católicas e segundos depois diz “ah... agora tudo faz sentido!”. Segue o caminho dos Pellegrini e dá um alô ao Papa. Anda por alguns corredores e encontra um Pensador, passa ali, onde um mafioso qualquer confessou seus pecados, e depois pára e encontra Rafael, auto-pintado do lado de Michelangelo, que está logo abaixo de Leonardo, olha para cima e aprende... e APRENDE: muita coisa seria diferente se aquilo não existisse.
Roma te faz absorver história, te faz entender a arte.
Passeia pelas ruelas da Trastevere e descansa numa Ilha Tiberina, vê o templo de Hércules e perde a mão na Boca da Verdade.
E a noite, nada melhor que tomar um vinho ao som das águas da Fonte das Trevas, e discutir sobre o porquê da existência de templos pagãos embaixo de igrejas católicas. Andar até a Praça do Povo e entender a influencia egípcia-helenica em vice e em versa. Amanhecer sendo desenhado na Praça Navona e depois perceber uma pirâmide ao lado de um grande muro.
Tudo em Roma é mais velho que o Brasil. Na cidade de quase 2.500 anos, uma vez cede do governo de um dos maiores impérios do mundo, nada pode passar despercebido, nada simplesmente não teve importância. E toda essa raridade, todo esse museu aberto, se encontra em mãos de um povinho ridículo, estúpido, egoísta e xenófobo. Um povo com crise de identidade que nada condiz com a fama alegre dos italianos. Desorganizados, preguiçosos e porcos.
Roma seria perfeita se não fossem os romanos.