sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Da terra e o que há embaixo

Digamos que as empresas de metrô não gostam muito de Roma. Porque? Porque é quase impossível construir mais linhas.
Aqui em Roma existem 2 linhas de metrô, e provavelmente demoraram muito tempo para terminarem. Só agora estão construindo a terceira linha, e provavelmente vão terminar daqui muitos anos. Porque? Porque sempre encontram partes da antiga cidade romana quando se escava.
A contruçao entao é dividida em tres etapas:
- quando começam a escavar, e imediatamente param.
- quando veem os historiadores, abrem tudo, registram, desenham, etc
- quando terminam de construir a estação. Claro, desviando do que encontraram.
Acho que deve ser até chato. O cara na escavadeira, enfia a pá e "anem... outra igreja de 1 milhão de anos atrás."
A cidade está constantemente em escavação, mas a maioria é coberto novamente para construção de outras coisas como prédios (no máximo 4 andares), ruas e etc. Precisa evoluir né?
As únicas coisas que eles deixam descoberto e cercam o local é o forúm romano, um ou outro templo, e metade de um dos lugares que ficavam os gladiadores (se fosse escavar a outra metade teriam que destruir muitas coisas...), e claro, estão todos em pedaços.
Existe uma igreja aqui, perto do Coliseu, que tem uma outra igreja embaixo, e embaixo dessa outra igreja, tem outra! Brincadeira né não?
Meu professor, o Papai Noel, me contou que um amigo dele foi arrumar o encanamento que saia da casa e ia pra rua, chamou uma escavadeira e entao descobriu o embasamento de uma basílica. Chegaram os historiadores, fecharam o local, e pronto, o cara nao tinha mais como sair de casa com o carro. Seu vizinho teve que doar uma parte de seu quintal para o infeliz.
Tempos depois os historiadores enterraram tudo de novo. E tudo certo.

E se você quiser dar uma de Indiana Jones, sim, é possível. Antigamente, antes da cidade ser invadida, eles enterravam as coisas mais valiosas, como as estátuas de bronze (que na época valia mais que ouro). Depois as pessoas que sabiam onde estavam enterradas morriam. Uma das únicas que não pode ser enterrada era a Colossal estátua de Nero em bronze (ou ouro,sei lá)de 38 metros, que ficava do lado do Anfiteatro Flávio, o Coliseu (já manjou porque o nome passou a ser Coliseu né?), bom... ela não está mais lá! Não enterrou, dançou! ... Enterrou também dançou, então deu tudo na mesma.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Da casa e etc

Bom... mudei de casa!
Agora nao moro mais viccino ao Pantheon, agora moro longe de qualquer parte turistica. Habito com um holandes, 2 suecos, 1 noruegues, 1 russo e outros 2 brasileiros.
A vida agora é outra. Agora eu tenho o que fazer depois que eu chego em casa, como por exemplo: cozinhar!
Nunca tinha cozinhado na vida, e agora, já até estou fazendo uma pasta gostosinha! Com direito a molho vermelho e branco. Mas vou aperfeiçoa-la mais. Quando nao é isso, estou conversando com alguem, assistindo um filme (porque aqui tem TV e DVD), arrumando a cozinha (que vive imunda), aprendendo russo (Priviet! kagk dilá? Harashov! etc etc.), ou ensinando o holandes a falar portugues. Ele morre de vontade de aprender portugues, e antes aqui na casa tinha 6 brasileiros, o cara já até entende um pouco, só nao sabe falar. Aprendi também algumas palavras em noruegues só escutando os escandinavos, e eles para retrucar falaram "também sabemos algumas frases em portugues como 'nóóó véi', 'caralho véééi...' e 'vai tomá nucú'". A casa aqui é 24 horas. Sempre tem alguém entrando, ou alguem saindo, ou alguem acordado.
Recentemente fiquei conversando com o Robson até o dia raiar, e vimos um dos suecos acordando duas vezes (pensamos que ele estava sonambulo) colocando as roupas na maquina de lavar, e voltava pra cama, sempre com aquela cara de 'mamãe quero biscoito'.
Em uma das paredes tem foto de todas as pessoas que ja passaram pela casa... bom, nem todas porque essa parede fica perto da lareira, e me disseram que um dia um dos que moravam aqui chegou bebado, a lareira estava acesa e bem... sobrou o que sobrou.
Aqui também tem internet de graça. Na verdade tinha que pagar 5 euros pra dona, ela te dava uma senha e voce usava. Mas morou aqui também uns 2 caras euclidianos e acabou com isso. Agora a net é free.
Pra usar a máquina de lavar também tem que pagar, 3 euros, só que "ninguem usa a máquina".
O melhor de tudo é a confusão linguística. Aqui dentro são 2 as línguas oficiais: inglês e italiano. Mas com os brasileiros eu uso Portugues. As vezes eu enrolo tudo. Começo a falar portugues com o russo ou em ingles com brasileiro, na maioria das vezes sai uma só frase com os 3 idiomas.
Quanto meu italiano, vai muito bem, obrigado! É uma lingua de fácil compreensão para nós de lingua latina, o que é um pouco ruim para falar, já que isso faz com que crie uma confusão de palavras e você acaba inventando um dialeto novo. Do tipo Portupanholiano. Recentemente perguntei uma coisa ao meu professor, e ele respondeu "essa última palavra que você usou é realmente uma bela palavra, uma pena que não tem no nosso vocabulário".
Por falar no meu professor, ele é um cara muito engraçado e zuão, e parece muito o Papai Noel. Não... ele é o Papai Noel! Então eu tive que chamá-lo por esse nome, e ele contou que uma vez ele estava na praia, chegaram 2 criancinhas e ficaram olhando pra ele, e depois falaram "você é o Papai Noel!" e ele "shhh... não conta pra ninguém, eu estou de férias...".
Bom... estou com um pouco de sono, e sem um propósito conclusionísta de onde chegar com tudo isso então vai aí uma foto:

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Mas que coisa, também quero entrar no Vaticano

(Lu do céu, como você é cagado)

Se fosse pra fazer um vídeo UE X Portugal, seria um mendigo bem arrumado e limpo(mas meio burro) pedindo dinheiro pra UE.Ô pezinho no terceiro mundo!

Bem, eu nao tenho muita coisa pra contar, quase todo mundo que eu conheço aqui é brasileiro.Conheci a primeira portuguesa esse final de semana, e tem a Garazi que é basca, mas tenho pouco contato com elas.

Bom, aqui, para tristeza de namorados e namoradas que ficam no Brasil(não amor, não vale pra vc, vc tá em Roma)vigora por o Tratado do Atlântico.É assim: o que acontece em Coimbra fica em Coimbra e não vale pro Brasil.Galera que tem namorado(a) na Europa, se conforme, a chance de vc estar levando um chifre é muito grande.

Já fui em duas festas brasileiras aqui, e a sequência musical é sempre a mesma: pagode, forró, funck e rockzinho legião-cazuza.Já percebi que Red Hot faz bastante sucesso aqui tb, toca sempre.


Não tenho nada de legal pra contar,infelizmente sai de Uberlândia, atravessei o corgão e ainda estou sem assunto.Começo a desconfiar que seja um problema meu.

Ah. O Lulu 2, de Uberlândia, que namorava a Fabiana tá morando na mesma república que eu.Mundão pequeno sô!

Uma vez penetra, sempre penetra

Eu já invadi muitas e muitas festas, sempre foi muito fácil. Estava afim de algo maior... mais arriscado. Foi assim que eu conheci a Cidade do Vaticano...

Ta bom vai, não entrei de penetra... mas caminhei lá dentro! No poderosíssimo território católico! Não está acreditando né? Tudo bem... nem eu acreditei. Mas aconteceu, e foi assim:

Terça-feira a escola promoveu uma excursão... um passeio guiado aqui em uma área de Roma. Não tinha que pagar mesmo, então eu fui. Nessa passegiata eu conheci um alemão, Wolfgang, da Baviera (Bavária), Munique. O cara é todo formal, daqueles que levanta pra te cumprimentar, que ao se despedir deseja que seu caminho sempre seja iluminado pela luz, usa sempre camisa e por cima aquelas blusas de lã, calças e sapatos. Ele chegou na escola não tem muito tempo, eu sempre via ele sozinho no refeitório, e ao conhece-lo aproveitei pra apresentar um monte de pessoas e enturmar ele com o povo.
Ele conversou com todos, e ficou amigo de todo mundo. O cara realmente é gente boa.
Depois do passeio, todos se reuniram pra saber onde iria comer e ele indicou uma pizzaria muito boa, e que ele tinha desconto lá, então podia pagar mais barato. Fomos todos, e lá descobrimos que o cara ainda falava, além de alemão, italiano e inglês, também latim e grego clássico. Que tipo de alemão fala latim e grego clássico? Além de estudar medicina e ter só 20 anos.
Enfim, nos dias seguintes ele se enturmou ainda mais com a gente. E na quinta-feira, após terminar minha aula, subi até no laboratório de informática e fiquei procurando o endereço do Albergue da Juventude aqui em Roma, pra Juliana Demori (inclusive, obrigadão Jú por ter trazido meu notebook!) que ia chegar na sexta. Wolfgang aparece e pergunta:
“Lucas, você ta indo pra casa agora?”
“Não, acho que eu vou lá no albergue que to arrumando pra minha amiga que vai chegar, é lá na Ottaviano.”
“Hm... então vamos comigo lá no correio que eu vou lá com você. O correio do Vaticano é perto de lá.”
Então fomos.
No ônibus, abri o mapa e mostrei pra ele onde era mais ou menos o endereço do albergue e perguntei:
“Onde é o correio?”
Ele me apontou a Cidade do Vaticano.
“Não... onde exatamente?”
Ele me apontou a Cidade do Vaticano. Pensei “devo tá falando alguma coisa errada”, afinal de contas, meu italiano ainda não é lá aquela beleza. Então mandei um inglês.
“Sei que é aqui perto, mas em qual rua?”
“Aqui... –olhei pra ele sem entender- aqui dentro! O correio do Vaticano é aqui dentro!”
Fiquei parado um pouco pensando em que diabos ele estava falando. E perguntei meio espantado:
“Co-como? Não tem jeito de entrar lá dentro...”
Ele falou:
“Eu te falei que eu morava lá.”
Aqui, todos costumam perguntar uns aos outros onde é que moram, e pra ser mais fácil dos outros entenderem sempre usamos os pontos turísticos mais próximos. Por exemplo, me perguntavam onde eu morava e eu falava Pantheon, outro falava Pirâmide, outro fala Tèrmini, e assim vai. Ele tinha me dito “Vaticano”...
“Ta cara, e eu te falei que eu morava no Pantheon, mas eu não moro DENTRO do Pantheon... como? Você ta é brincando comigo... não tem como ... não tem... não... não tem...”
“Claro que tem...”
Eu ria de bobo, sabia que ele estava me zuando, mas ao mesmo tempo, ele estava sério demais pra ser uma brincadeira, e eu não consigo imaginar um cara daqueles contando uma piada.
“hahahahaha... ta bom então... hahahahaha para cara, fala sério...”
Então ele abriu a pasta de couro dele, e retirou uma credencial que permitia a entrada dele na Cidade do Vaticano e me mostrou (inclusive Clidi, é altamente plagiável).
“COMO? PUTA QUE PARIU (eu ia falar Putz! Mas isso aqui significa “fedor”) como? Não... não tem jeito... não... como? Como? Eu também quero! Quero um desses! Como, me fala, como você conseguiu...”
Ele, falou humildemente:
“Porque eu conheço o Papa e...”
Aí eu interrompi. Nem queria saber quem vinha depois do “e...”, conhecer o Papa? Não... aí já é demais!
“Para... hahahahahahaa agora você ta me zuando... hahahahahaha... cara... impossível hahahahahaahahaha... impossível, não tem como...”
Eu continuei repetindo isso durante um tempo igual um louco que invoca com uma coisa e fixa o olhar em um ponto, fica repetindo uma frase e balançando o corpo pra frente e para trás.
Ele, penso eu, ficou ofendido, virou pra janela e começou a olhar a paisagem. Eu insisti em saber, COMO:
“Não, me explica isso direito... como? Como você mora no Vaticano, como você conhece o Papa?”
“Durante toda a minha vida, antes de eu entrar na universidade, sempre estudei num colégio interno católico para meninos, em Munique. Lá, durante muitos anos, tive aula com o irmão do Papa. E fiquei conhecendo ele.” Antes mesmo dele se tornar Papa.
“Não... não tem como... to separado do Papa por uma pessoa? Não? Não tem jeito... Ta... eu também conheço o Papa, mas ele te conhece?”
Ele fez uma expressão de assustado e soltou um “Claro!”. Insisti na pergunta, e ele insistiu na resposta.
“... vou te levar lá agora. Depois vou com você lá no albergue.”
“Cara, se a gente entrar no Vaticano, foda-se o albergue.”
“Bom, se der algum problema e não der pra você entrar, vai ser uma pena... mas vou falar que você é um parente meu... hm... como fala primo em italiano? Você vai ser meu primo por alguns instantes.”
Até assustei dele falando isso, então quer dizer que ele, todo certinho, iria mandar a ver numa mentirinha... bom, pra mim tava tudo OK!
Chegando no Vaticano, fomos para o muro de entrada. Lá estava alguns guardinhas com suas roupas carnavalescas. Dois brincando de “quem mexer primeiro perde” e segurando grandes lanças, um batia continência para todo carro que entrava, e um deles ficava na parte para pedestres. Ali na frente, claro, vários turistas tirando fotos da única parte que podiam ver do interior dos muros. (hahaha reles mortais)
O alemão chegou e mandou ver numa tática de penetrar, aquela em que se exclama uma coisa estranha, faz uma pergunta que a pessoa não vai saber responder e logo em seguida já afirma e entra. Todo segurança fica perdidinho com isso.
“Boa noite (falou o nome do segurança) esse aqui é meu primo brasileiro Lucas o correio deve estar aberto ainda né estou indo lá ciao ti vediamo.”
Passamos!
Eu não tava acreditando muito... pronto! Eu estava dentro do Vaticano. Até poucos dias atrás o lugar mais importante que eu já tinha entrado era a Prefeitura de Uberlândia. Caminhamos até o correio e o Wolfgang cumprimentava todas pessoas que passavam. Alguns guardinhas o gritavam de longe pelo nome e o saldavam. Depois do correio, que estava fechado, ele falou “agora vamos dar uma voltinha rápida por aqui”. Claro!
Andamos tudo e saímos. Fim!
(Hehehehehe, não marcão, não é o fim, vou descrever ta? Hehehehe se fosse o Fim de verdade você teria um infarto né?)
Bom... o Vaticano... você já jogou Zelda? (vou considerar que sim) Então, aquelas cidades antigas, com pessoas vestindo roupas antigas, tudo de pedra, com passagens medievais e etc, e guardas imóveis, então... esse é o Vaticano.
Passamos primeiramente enfrente da parte capitalista do lugar, com direito a supermercado e loja de roupa. Entramos em uma via com uma praça, que não tinha arvore nenhuma, só uma fonte no meio, e em volta, grandes muros de pedra com janelas.
Wolfgang ia me explicando o que era cada uma delas “aquela ali em reforma ó, é a capela sistina. Não vai dar pra entrar agora porque já está fechada, se não te levava lá.”. Seguimos por um corredor rampado, onde parecia a entrada de um castelo, com muros de pedra e à esquerda grandes arcos, que dava pra ver a praça, no fundo, mais guardinhas, com lanças e tochas nas paredes. Fizemos a curva e saímos num vão atrás da Basílica de San Pietro. Eu estava estupefado, rindo atoa, tentando guardar com os olhos cada canto que passávamos. Não, não estava com minha máquina fotográfica, mais um motivo para ninguém acreditar que fui lá.
Ali, bem atrás da Basílica, tem alguns pinheiros, e um salão. “Ali é onde eles fazem a escolha do novo Papa. E ali a direita sobe para os jardins, mas agora ta escuro não vai dar pra ver nada.”
Tudo o que vi foi uma vila antiga. Vi uns dois carrões fodas! um cara de terno encostado em um deles, falava no celular em uma sabeseláquelingua, mas em geral muitos carros simples. Tem um local lá que tem semáforo para os carros. Achei engraçado.
Me mostrou o prédio do Secretário Geral do Vaticano e as janelinhas do quarto do Papa, que inclusive dá pra ver de fora do Vaticano, e a maioria das pessoas não sabe que é lá.
Depois disso passamos por mais umas duas praças, similar à primeira, caminhamos por um grande vão, e saímos.
Foi interessante ver e andar do lado de dentro dos muros. Pena que foi tudo muito rápido. Ele estava com um pouco de medo de perguntarem quem era eu. Andamos durante uns 20 ou 25 minutos.
Depois nos encontramos com alguns da guarda suíça, que são os que vigiam o Vaticano, Wolfgang me apresentou e conheci algum deles. (putz, tenho que me aproximar desse povo até à páscoa hehehe)
Depois de tudo, corri pra ligar pra Naiara. Ela achou massa de mais etc e tal, me perguntava e exclamava de tão abismada.
A conversa com meus pais foi um pouco diferente:
“Mãe, Pai! Entrei no VATICANO! Andei tudo lá dentro! Conheci um cara que conhece o Papa!”
“Hm, que legal! Mas você tá comendo direitinho né? Não vai ficar comendo só besteira...”
Acho que vou por esse meu passeio no curriculum, vai que assim fica mais fácil de arranjar um emprego.

Lucas

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

U.E X Italia

Pra quem ja viu, veja novamente. Quem nao viu, vai ai um video totalmente real!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Vou dizer algo sobre as portuguesas:elas são feias e se vestem mal.

Redação:Meu primeiro dia na escola

Foi muito boa a aula ontem, o cara mostrou o que é que Coimbra tem.Aula de finanças públicas, direito comparado na veia.O português dele é inteligível e a sala de aula parece de filme,do Harry Potter pra ser mais precisa.A faculdade de Direito em si parece saída de Hogwarts, com corredores, pessoas vestindo capas negras(os trajes, que aqui são usados por todos os quinto-anistas) e locais que vão dar em outros locais inesperados, bem como outros locais que ninguém sabe pra que servem.É muito legal.

Depois da aula eu e a Lô fomos pra casa, no caminho, descendo para a Praça da República, onde, inclusive tem um viaduto de pedra que fica maravilhoso à noite, encontramos o Lúcio e o Leiulson, do mestrado do Direito, conversamos um pouco, o pessoal combinou uma feijoada(to fazendo mais coisas brasileiras aqui que no Brasil), mas não vai dar pra eu ir porque é a despedida da Mari e do Fandi.Também recebi um e-mail falando de um jantar Erasmus e festa brasileira no English(pub), mas, novamente , vai ser no mesmo dia da despedida.Além disso, festas sem o Lucas me deprimem.

Bom, chegamos em casa, conversamos com a Olga(espanhola), e o Lucas(que toca violão) chegou e foi ensaiar com o Rodrigo.Tocaram umas músicas, o pessoal jogou um papo fora, e eu morrendo de sono.Mas ainda tive o ânimo de colocar um dente de vampiro e ir assustar o Vini, que tava tentando dormir.Foi engraçado.

Bom, hoje foi normal, a chuva das 2 já passou(aqui é a Amazônia lusitana), fomos no supermercado, comprei 6 pastéis de natas(pastéis de Belém, para os não iniciados) por 2 euros, e vim pra aula.Teoricamente teria aula agora, mas não to afim de ir.Acabei de falar com o Lu, e isso por si só já me deprime.Saudade é phoda.

Bem...o Canotilho.Ele é legal mas é luso né.Diálogo da Lorena com ele:

"professor, a gente pode trocar de turma?"

"vcs tem que falar com o outro professor"

"mas se ele disser que pode, tá tudo bem pro sr?"

"não posso falar que está tudo bem.Falem com o outro professor"

"sim, mas se ele falar que tá tudo bem , tá tudo bem pro sr tb?"

"não sei, falem com o outro professor, ele quem sabe, não posso falar que tudo bem"

Juro pra vcs que todo diálogo aqui é assim, até eles entenderem o que a gente tá falando demoram horas.Phoda.

Já tive várias, inúmeras conversas assim.Todas com portugueses(as), é incrível.É uma nação de espertos mesmo.

Mas pelo menos construíram cidades lindas como essa aqui.

Do dia 12/02 - provavelmente as 5 horas da manha.

(Uma breve explicaçao sobre meus horarios: Eu nao tenho! Primeiramente porque meu relogio pirou o cabeçao na primeira maquina de raio X que ele passou, no aeroporto de Sao Paulo. Entao eu acompanhava as horas pela minha maquina fotografica, mas deixei em Coimbra com a Naiara, a dela pifou e eu ja nao tenho muita coisa pra fotografar aqui em Roma. Desde entao, fico totalmente perdido. Chego em casa e jà è escuro, entao nao sei se è 18horas ou se sao 22h... por via das duvidas eu durmo. Algumas vezes acordo e ainda ta tudo escuro e me pergunto "Serà que eu ja dormi o suficiente? Se considerar que eu fui dormir as 19horas entao sim... mas e se eu fui dormir a meia noite?", por via das duvidas eu durmo de novo. Mas as vezes eu nao consigo dormir e fico acordado esperando o Sol nascer, mas eu canso de esperar e acabo dormindo. Agora eu ja aprendi olhar as horas pelo angulo que o Sol bate nos predios em frente a minha janela. Mas quando nao tem Sol, è aquela confusao. Eu moro bem no centro de Roma, e de madrugada faz tanto silencio que eu nem consigo dormir. To acostumado com a balhureira do centro de Uberlandia, seja de dia ou de noite. E quando começa amanhecer e começa a ter movimento, eu durmo... minha cabeça ta uma piorra. Essa noite eu acordei de repente me perguntando "po... to a quase um mes aqui e ainda nao vi um posto de gasolina... nao faz sentido..." , isso nao tem muita coisa haver com o que eu estava dizendo, mas soh pra completar o raciocinio, hoje vindo pra ca fiquei observando os carros e vi que grande parte deles nao tem escapamento, muitos sao carros eletricos... legal nè? Mas enfim...)

Agora sim, do dia 12:

As pessoas ja pararam de me responder em ingles quando faço uma pergunta em italiano. Ja consigo levar uma conversa de forma razoavel, entao ta na hora de arrumar um emprego.
Pra saber por onde começar fui atè uma cafeteria aqui perto de casa onde trabalha um brasileiro, pedi um capuccino e troquei umas ideias com ele. Me falou pra eu procurar mais em bares que eles sempre precisam, mandou eu ir no Posta pegar meu kit permesso ja pra deixar tudo pronto pra quando chegar meus papeis pra cidadania. Falou para que eu procurasse uma mulher que trabalha em uma pizzaria na Via Otaviano, "dizem que ela arruma emprego pra todo brasileiro. A pizzaria soh abre a noite, mas eu nao sei o nome de là, muito menos da mulher."
Depois passei em alguns lugares e dois deles pediram que eu levasse o Curriculum. Vou fazer um aqui, mas nao tenho telefone, sim... ficou na mochila que eu perdi. Pedi para que a Naiara me enviasse ele, compro um chip aqui e tà tudo beleza.
Fui pra aula e troquei umas ideias com o Glauber, brasileiro do Parana, que começou a dar entrada na cidadania. Bom que eu faço o mesmo trageto e nao perco tempo tentando entender o processo. Aos poucos as coisas vao dando certo e se ajeitando.
Depois da aula eu nao estava afim de ir pra casa. O Glauber tambem nao. O Luis apareceu e falou a mesma coisa.
Passamos no supermercado, arrematamos uma grande garrafa de vinho e abrimos ela em frente ao Coliseu. Fomos embora soh mais tarde, quando o frio ficou insuportavel... e quando a garrafa de vinho acabou.

Do retorno a Roma

Dia 09(Caramba, to atrasado em atualizar isso...), entrei no trem e observei lentamente a imagem da Naiara sumindo, dando espaço pra paisagem de Portugal, que pra mim, nao tem muita diferença com o cerrado brasileiro. Entao eu apaguei. Acordei nao sei como, mas as pessoas estavam terminando de sair do vagao. Levantei e desci tambem, sem ter a certeza de que ali era Porto. Depois descobri que era. Peguei o metro que cruzou a cidade e me deixou no aeroporto, onde eu fiquei là passando o tempo, e dormindo.
Conversei com um cara da alfandega sobre abonar os impostos das mercadorias que eu pago, um negocio que a Naiara tinha me dito. E nao è que funciona mesmo?
Chama tax free. Todos os estabelecimentos conveniados com o Tax Free podem te dar um recibo tax free que voce tem que pedir, caso contrario nao te entregam, e quando voce for deixar a Uniao Europeia, voce passa no posto da alfandega, apresenta as notas e o produto que voce comprou e pronto, o dinheiro surge pra voce novamente. Os impostos chegam ser ate 10% do produto, è uma boa pra quem quer vir aqui e comprar eletronicos.
Depois de varias horas embarquei no aviao e zarpei pra Girona... e nao pretendo voltar là.
Em Girona inventei de gastar um pouco mais e comer um pouco melhor. Pra isso, sai do aeroporto nos 2°C e caminhei por uma estradinha escura e nebulosa durante uns 5 minutos, onde falaram que havia um restaurante. (eu conversando espanhol è uma piada). E realmente havia... El Mirador. O lugar parecia uma churrascaria. Sentei, pedi o cardapio e ao abrir eu tive a certeza de que realmente nao sabia falar espanhol.
Escolhi um negocio là... o mais barato. 7€. Assim que eu sentei na mesa colocaram pao e agua os quais eu devorei. Se o que eu pedisse fosse pouca coisa, entao ja vou aproveitar e me encher um pouco mais.
Fiquei assistindo um jogo do Barcelona com nao sei quem, numa TV no canto do restaurante. Os garçons tambem assistiam... e acho que os cozinheiros tambem.
Chegou o meu prato com um pouco de porco morto, alguns alfaces e 3 lulas semi-cruas... juro que uma delas olhava para mim. Meu estomago deu uma reviravolta. Se eu tentasse comer ao menos o alface, eu vomitava. Chamei o garçom e perguntei as horas. "11 horas" - me respondeu. "Meu Deus - cara de assustado - è mesmo, aqui na Espanha avança 1 hora... eu estava em Portugal e meu relògio ta errado. Eu tenho que ir, tem como voce embrulhar pra mim?". Embrulhou, paguei, voltei pela estradinha sombria e arremessei aquilo longe. Comi aquelas coisinhas do aeroporto mesmo.
Tentei dormir mas nao conseguia. Rolava pra um lado e pro outro e lembrava do olhar da lula. Vontade de vomitar.
Ao amanhecer tomei um cafè pra melhorar um pouco meu estomago. Comi uns paes e realmente melhorou. Mas depois contei o meu dinheiro, e me restavam apenas 5€.
Entrei no aviao e cheguei em Ciampino.
"Quero uma passagem pra Roma!"
"Sao 8€"
"Uè... mas eu tinha pagado 6 pra vim."
"Foi uma promoçao, agora è 8"
"Eu so tenho 5"
"Entao usa o transporte publico"
Viva! Ela me apontou um onibus que ia ate o primeiro ponto de metro de Roma. Pra chegar na minha casa gastei soh €2,50. Com os outros dois comprei um pedaço de pizza. Ah! A pizza! Que delicia!
Na cidade estava acontecendo uma parada chinesa... em todos os sentidos. Com dragoes, danças e tudo mais. Assisti um pouco, e as 17hs apaguei na cama. Acordei no outro dia com o Sol nascendo.

Lucas

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O retorno da mochila lisboeta

Então.

Ontem fui buscar a mochila.Mas como tudo que é luso tem que ser complicado, acordei às 9 , e só tinha intercidades(comboio, trem) às 13:45.Eu e a santa Lorena ficamos esse tempo todo na gare de Coimbra A (porque tem Coimbra B, que é da onde saem todos os intercidades, de Coimbra A só sai pra Coimbra B.É luso mesmo), comendo chocolate e conversando besteiras.
Bem, chegou o comboio, fomos embora e tal, chegamos na Gare do oriente, que é a estação de trens mais linda do mundo(confiram no Google Earth se quiserem detalhes mais precisos, tenho aula daqui a pouco, infelizmente não vim aqui só pra passear), principalmente à noite, quando fica toda iluminada.Me parece o Canadá(ou o que eu imagino que seja o Canadá), não sei porque.

Bem, chegamos lá às 4 e pouco, ligamos pra Lusa que aprontou uma confusão pra anotar o número do cel da Lo(o meu tinha acabado a bateria), mas mandou a gente ir para Ameixoeiras, estação de metro.Cheguei lá, esperei um pouco e apareceu um tio luso com a mochila do Lu.A partir daí eu podia perder meu passaporte, mas a mochila não.

Detalhe que as placas de indicação do metro são complicadissimas.Ontem a gente foi procurar a estação de Rato e tinha uma placa indicando acima, outro ao lado e outra na direção oposta.No final, o certo era descer.

Comemos no Mac, o último comboio saia às 21.Tava uma chuva do cão, um frio do inferno, mas pelo menos na gare tinha uma feira de livros ótima.Pena que minha situação financeira não me permita comprar livros.5 euros são dois almoços e um pastel de Belém na cantina.

Fomos tomar um chocolate quente.Chegamos no sical(bebes) e vimos a tabela "bebidas quentes" ,dentre elas um chocolate quente por 1 €, pedimos o chocolate.A mulher pegou duas garrafinhas da geladeira e a gente perguntou :
"Mas o chocolate quente não é quente?"
"Não.Gelado"

Lusos.Phoda.

Chegamos em casa lá pela meia noite, fomos tomar banho e comer alguma coisa, peguei um pouco de resfriado e fomos dormir lá pelas 3.Não conseguimos acordar pra ir na aula cedo,e , ainda bem, porque elas foram canceladas.O frio está negro hoje.

Amanhã temos que falar com o Canotilho pra ver se podemos mudar de turma na aula dele.Uhu!

Esse povo tem uma dificuldade de entender as coisas que é triste.Eles não entendem nada que seja dito com uma pequena diferença de linguagem, nem nada que tenham que interpretar, ainda que minimamente.Não é brincadeira não, é sério mesmo.Quando cheguei achava que era onda do pessoal do Brasil essa história, mas meu Deus, é verdade.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Piadinhas

"De onde voce è?"
"Brasil..."
"Kàkà, Ronaldinho."
"é...é... e voce?"
"Holanda..."
"Maconha, prostitutas."
"é...é... eu sei"
(primeiro dia de aula, durante o intervalo)

"Adivinha o que eu vou almoçar hoje! Voce tem duas chances."
(um brasileiro zoando o variado cardapio italiano)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Alfândega sucks

Ah...Aproveitando a deixa do Lu, vou contar da alfândega.
Bem.Eu não tenho visto de estudante, no Brasil a opção era tirar o visto ou passar de ano.Então cheguei feliz e contente em Lisboa e fui passar na alfândega.O carinha:
"O que vc veio fazer aqui?"
"Estudar"
"Onde?"
"Em Coimbra"
"Cade seu visto?"
"Não tenho, vou tirar aqui"
"Nem pensar,não posso te deixar entrar assim não"
"Ah não moço, deixa eu entrar como turista , se não der certo eu volto antes"
"Sua passagem de volta tá marcada pra quando"
"Pra daqui a 3 meses"(o que é uma mentira, óbvio)
"Tá bom, entra vai"
Nossa.Eu senti um alívio tão grande que fui embora quase correndo, com medo dele me chamar e dizer que tinha mudado de idéia.Fiquei tão lesada que sai da alfândega sem pegar a minha mala.Aí eu tive que pedir para um funcionário ir comigo pegar e passei pela anfândega DE NOVO.Mas desa vez disse que tinha vindo visitar meu avô.Fiquei com medo do cara ir conferir com o amigo dele que me passou pela primeira vez, mas ele só revistou a minha mala e ficou de boa.
Aff.Cada uma viu.Como diz o meu pai(que ficou sabendo da história da mochila, graças a vcs amigos, muitíisssimo obrigada), os distraídos se atraem.
Lama.

My dream is to flight

Olá companheiros.

Eu sei que ninguém quer ler as minhas postagens, que a Itália é muito mais legal que Portugal ( o que eu, particularmente discordo, acho até que o Lu deveria mudar pra cá), mas vou falar mais um pouco de Coimbra.

Coimbra is nice, i like it.

Fim.


Não, brincadeira.


Coimbra vive de estudantes, respira universidade , universitário aqui é rei.Ontem fui na festa Erasmus, de recepção aos estudantes, grande parte brasileiros.Mas também há poloneses (e as polonesas, sim, são lindas galera), franceses(dentes podres) e italianos(sim Fernanda, para quem gosta de mini pessoas, eles são bonitos e dão em cima de brasileira adoidado).

O pessoal é bem legal , divertido.Os meninos da república são hilariantes, principalmente o Fandangos(vc é lama Fandi) que é uma mini pessoa muito legal(Vinicius e Rodrigo, adoro vcs tb).A Lo, com aqual divido quarto é uma amorzinho, um doce mesmo.Tem o Lucas também, amigo nosso que toca violão bem até e canta nos barzinhos aqui.Ou seja, todos os brasileiros(as) aqui são ótimos.

Nas festas aqui a mania do povo é virar tequila e absinto(que é legalizado), mas antes sempre tem um esquenta com vinho(nossa, Moscatel é bom demais.Finalmente um vinho gostoso) ou calhemucho(vinho com coca cola).É lógico que tem o vira vira vira, que aqui é cantado assim:

"Se você quer ser cá da malta
Tem que beber esse copo até o fim
até o fim
E vai acima e vai abaixo e vai ao centro
E vai pra dentro e vai pra dentro"

A musiquinha é legal.Falando em música, o que bomba por aqui (além das músicas brasileiras) é uma que tem um refrão "My dream/is to flight/over the rainbow/so hight" ou algo que o valha.Nunca tinha escutado.

Vou almoçar.Não fui buscar a mochila doLucas porque a lusa falou pra eu ir amanhã.

Caramba viu, essa história de que português é burro tem muito fundo de verdade.Mas depois comento isso.

Hasta!

Da mochila

Pra esclarecer totalmente esse lance da mochila, eis aqui a historia:
Era dia 08, e iamos pra Coimbra. Pagamos o sr. Frances dono do albergue e fomos descer a escadaria com A Mala. A bagagem da Naiara pesa mais de 30kg.
Coloquei minha mochila nas costas e fui descer a mala, enquanto a Naiara descia com o restante das coisas que era edredons, travesseiros e uma outra mochila com roupas.
Na Ryanair, se voce tem bagagem voce paga mais. Entao levei sò uma mochila pequena mesmo, nem peso tinha. Eu mal sentia ela nas costas.
Enfim, desci a mala. A Naiara ainda levou um escorregao e caiu de bunda hehehe, (desculpa amore... mas foi engraçado). Chegando no metro, mais escadas pra descer. Jà bateu aquele desanimo. Descemos... plataforma errada... subimos... e descemos novamente...carregando 30kg... eu atè jà estava triste. Eram muitas escadas.
Chegamos na plataforma, e tinha um banquinho... daqueles de praça... sentei e tirei a mochila, tirei a blusa, e sò nao tiro os tenis porque nao ia dar tempo de colocar denovo quando chegasse o mètro. (Tà Junin... pode zoar...pezao e tal ha ha ha).
E ele chegou... abriu as portas e eu sai correndo com a super mala pra entrar no metro antes que ele partisse. Aquele tanto de gente, todo um empurra empurra. Foda! Entramos, eeeeeee, comemoraçao e cansaço.
Descemos na estaçao que eu nao me lembro o nome e putz... cade minha mochila? Oh Meu Deus, Oh Meu Deus, me roubaram? Mas como? Tava aqui? Nao... eu tirei? Tirei! Onde? La! La? La! Nah, senta ai e me espera! Beijos e atè daqui 1 hora!
Troquei de plataforma, peguei o trem e voltei pra estaçao onde estava. Bosta, a mochila sumiu. Corri atè na central da estaçao. Moça, voce trabalha aqui? "Sim" Viu uma mochila ali no banco? "Era uma mochila assim assim?" Sim! "Que tinha um negocinho assim, e uma cor assim?" Sim, Sim! "E que tava ali...?" EH! "Vi" Voce pegou? "Nao, duas senhoras pegaram e entraram pra dentro do mètro!" Poxa, e agora? "Agora a mochila è delas"
... Pausa... pensamentos... naaaao, sera que ela acabou de me falar isso mesmo?
"Olha... na maioria das vezes, quando acontece isso, as pessoas costumam deixar na estaçao que elas vao descer..."
...Pausa... pensamentos... porque serà que elas nao deixam na estaçao que encontraram?
"Da uma ida nas outras estaçoes e pergunta"
Foi isso o que eu fiz, mas depois de 2 estaçoes me veio a genial ideia de pedir para que o carinha que trabalha na estaçao ligasse nas outras e perguntasse por uma mochila. Ligaçoes, ligaçoes, ligaçoes, "nao... desculpe, nao deixaram em nenhum lugar. Mas todos os achados e perdidos vao pra estaçao Marques de Pombal" Entao vou là! "Mas os achados e perdidos abre sò segunda feira." Mas eu to indo embora agora! "Eh... entao voce pode ligar aqui na segunda, esse è o numero."
O que eu faço, o que eu faço, Oh Meu Deus, Oh Meu Deus... policia! Revirar esse metro! Circuitos internos de TV e etc. Agora eu pego essas lusas malditas.
Sai do Mètro. E onde è a policia? "pra làa" Onde è a policia? "mais pra là" Onde è a policia? "Ali!" Policia!
... 2 pessoas paradas em frente um balcao... 2 pessoas sentadas em um banquinho, 3 policiais atras do balcao olhando 1 computador..., eu e o som do cooler do computador.
1 minuto... 2 minutos... 3 minutos... aaaaarrrrghhh... 5 minutos! Ali... um policial fumando là fora!
"Policia... eu perdi minha mochila!"
"... (solta fumaça da boca, abaixa o cigarro, olha pra mim e) perdeu, perdeu..."
"..."
"Onde?" No metro, foi assim assim assado, e eu acho que me roubaram porque duas senhoras e bla bla bla.
"Nao... isso nao è roubo... isso è estravio!"
"Tà... mas o que eu faço... tinha um passaporte e bla bla bla"
"Pra olhar o seu problema vai levar a tarde toda, entra la e faz o registro."
Entrei... e o mesmo cenario. Perguntei pras 2 pessoas que estavam sentadas o quanto tempo estavam ali. "30 minutos, um pouco mais". Tchau! Foda-se policia! Seguro! Sim, seguro de bagagem! Qual è o telefone? Ah sim! Aqui! Cade um telefone? Ah sim... ali!
"Perdi minha bagagem?"
"Aeroporto?"
"Nao, metro de Lisboa"
"Nao... a gente so cobre no aeroporto, mas liga em tal lugar..."
Liguei e achei uma mulher afim de ajudar. Ela ficou de ligar no metro, liguei 3 horas mais tarde pra ela e ainda nao tinha encontrado. Mas isso foi depois. Continuando...
Bosta... perdi a mochila mesmo. Bom... vou esperar segunda feira e torcer pra estar na marques de pombal. Retorno na estaçao. Oi amor! Nao achei, vamos embora! Tchu tchu tchu... trem - coimbra, eeeeee....
Republica, oi oi, prazer, hm, sim... tah. Banho, vamos no shopping? Vamos... ver um filme e tal? Beleza! Ligaçao, casa:
"Valha-me Deus! Que bom que voce ligou, o que aconteceu com sua mochila?"
"Caramba... como voce sabe?"
"Uma mulher ligou pro Euclides, que ligou aqui e avisou que voce perdeu a mochila!"
Ufa! Retire o que eu disse sobre lusas malditas! Que bom! Achou!
E neste exato momento provavelmente a Naiara Amore Mio està em Lisboa resgatando a estraviada!
FIM!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Da ida a Lisboa

A minha ida pra Lisbona foi o momento mais On The Road da minha viagem.
Tudo começou no dia 05, acordei cedo, 8h da manha, morrendo de sono porque fui dormir as 3horas da manha. Culpa do Andrea que veio bater na porta do meu quarto a meia-noite me chamando pra assistir um filme eu, ele, um amigo dele e a Virginia, a italiana que mora aqui na casa. (American Gungster... dublado)
Acordei e fui num orelhao ligar pra Naiara. Ela ainda estava dormindo quando atendeu o telefone. Desejei uma boa viagem e fui preparar a minha.
Arrumei minha mochila com algumas roupas e um cafè da manha. (Roupas essas que venho a perder depois, junto com a mochila, como toooodos ja sabem). Meu cafè da manha consiste em 1 croassant (eu compro um pacote de 6 no supermercado por 1,50€) e agua.
Fui pra escola, sai na hora do intervalo, peguei o busao e desci no aeroporto.
No aeroporto de Ciampino fiz o check in e no papel estava escrito: embarque 19;25. Meu voo saia as 20hs. Logicamente pensei que era pra entrar pra sala de embarque as 19:25.
Entrei, andei pelas lojas la dentro e sentei em um dos bancos perto do portao que eu ia embarcar. Tempos depois escuto um anuncio em um italiano desesperado, no qual eu entendi apenas: "garcia nuncentz desossa". Sabe-se là o que è isso. Ao anunciar em ingles a ultima palavra foi "disouzei". Parei, pensei "serà que estao tentando falar de Sousa? Naaao..." Tempos depois o anuncio de novo. Entao levantei, fui ao portao de embarque e falei que eu era o de Sousa. A mulher me fuzilando com os olhos exclamou " Ta um pouco atrasado, nè?" Dei uma de perdido, ela deu um sorriso falso e voltou a ficar sèria no mesmo instante. Pegou o radio e falou que tinha encontrado o De Sousa. Chamou um onibus, entrei... onibus vazio. Desci na frente do aviao onde me esperava um time de pessoas com a cara fechada: o capitao, uma aeromoça que segurava a porta pronta para fecha-la e um cara que retirou a escada assim que eu pisei no aviao.
Sentei, fechei o sinto e o aviao zarpou, deixando para tras as outras 2 pessoas que nao encontraram.

A Ryanair è a cia aerea mais barata, e nao era de se esperar que fosse uma Tam, mas tambem nao sabia que era um camelodromo ambulante. Là dentro eles vendem comida, lembrancinhas, ticket de transporte e ate bilhete de loteria, com direito a publicidade radiofonica:
"Chegou a sua vez de tornar-se um milionario. Compre agora os tickets ryanairgoodluckplus e concorra a 1 milhao de euros. è isso mesmo, 1 milhao de euros... nossos auxiliares de bordo passarao agora..."
E a cada pouso è uma emoçao. Facilmente percebe-se que o piloto è um estagiario.

As 22hs estava em Girona, Barcelona... morrendo de fome. O sagua o deste aeroporto è bem menor que o de Uberlandia. Tanto è que havia apenas uma lanchonete, e a coisa mais custoXbeneficio que eles tinham para vender era umas bandejinhas, comida de aviao, fria. Comi e comprei um pao oco pra ver se cobria mais um pouco do estomago.
Depois disso fui procurar um lugar pra dormir. Mais ao fundo encontrei varios grupos de 4 cadeiras, sentei em uma delas, coloquei minha mochila do lado, olhei em volta desonfiado pra ver se nao teria problema de deitar ali, quando do nada chega um velhinho no grupo de cadeiras ao lado, deita e apaga. Fiz o mesmo. As cadeiras nao eram muito confortaveis, as laterais ficavam pegando nas costelas e os braços pendiam pra fora. Mas com o cansaço que eu estava... meu sono ainda foi embalado por um jazz, daqueles que tocam nos filmes quando o mocinho està deprimido em um bar quase fechando, tomando um wisky.
Acordei as 3 da matina, desesperado pensando que tinha perdido o aviao. Mas enquanto isso, o velhinho mandava ver na sua sinfonia do ronco e uma legiao de pessoas dormiam em todo o saguao. Nao sabia que era uma pratica tao comum. Algumas delas carregavam uns tapetes de borracha, com mais ou menos 1 cm de altura, no comprimento de um colchao, um pouco mais estreito. Estendiam e puxavam a palha. Outros enfiavam num saco de dormir. Cada um se ajeitou do seu jeito. Tirando o velhinho, todas as pessoas que la estavam eram grupos de jovens, que, ao amanhecer, a grande maioria entrou pra dentro da cidade ao inves de fazer o check in e pegar outro voo. Creio eu que: como a maioria dos voos baratos sao a noite, eles chegam na cidade e para nao ter que gastar dinheiro com taxi, e ou ainda procurar albergue de madrugada, dormem por ali mesmo. (Galera do mochilao, venham preparados, è provavel que iram dormir em aeroportos).
Tomei o meu "cafè da manha" croassant que eu tinha levado e agua que eu tinha comprado, e as 4hs fui fazer o check in, que sempre começa 2hs antes do voo, e ja entrei pra sala de embarque.
Ao fazer o check in eles me entregaram alguns papeis com as novas normas do aeroporto e um outro papel que tinha as datas e horarios dos meus voos. Mas foi so na sala de embarque que eu fui reparar que minha data de retorno estava errada. Assim como o meu nome: eu nao me chamava Luis... muito menos Jader. Entao eu lembrei dos dois brasileiros que estavam na minha frente na fila e fizeram o check in juntos. Com certeza era deles... Ao ve-los na fila de embarque eu os chamei pelo nome. Eles me olharam com aquela cara de "puta... da onde esse cara me conhece?" Expliquei para eles o que tinha acontecido, mas eles tinham perdido o meu papel. Bom... aquilo nao era importante mesmo, mas isso tudo foi essencial pra eu economizar uma boa grana.
Chegando no aeroporto de Porto (muito bonito por sinal) fui tomar um cafè... cafè CAFE que nao tomava ja a quase 2 semanas, desde o dia que eu cheguei e o italiano me recusou a vender pra eu comer com o pao.
0,85€. Que beleza! Barato! A mulher colocou uma xicara na minha frente e foi atender outra pessoa. Ainda fiquei parado um momento esperando ela me servir antes de perceber que la no fundo da xicara, tinha uma coisinha liquida escura. Engoli o cafe e sai em busca do balcao de informaçoes pra me dizerem como eu poderia ir pra Lisboa de uma forma barata. E nessa procura encontrei novamente o Jader e o Luis que tomavam um cafe da manha.
"O pà"
"Opa... e ai" disse eu
"Ja comeu alguma coisa?"
"Ja... comi la em Barcelona"
"Nao rapaz... pega alguma coisa la pra voce e senta aqui com a gente... por nossa conta..."
"Nao cara... pode deixar"
Depois de tanto eles insistirem e de terem rido do meu "cafe da manha croassant e agua", aceitei o convite e comi um sonho gigante tomando um cafe com leite no eles pagaram.
Jader e Luis sao dois goianos que vieram pra Europa ganhar dinheiro. Aquela tipica historia do brasileiro que tenta a vida no exterior. Trabalham como pedreiros aqui, um esta apenas a 1 ano e meio e nao pensa em voltar, o outro està a 3 anos e "se deus quiser no final do ano eu to no Brasil". O Jader, que esta aqui a mais tempo, conseguiu arrematar algumas casas de aluguel no Brasil. Com esse trabalho eles chegam a tirar ate 2.500€. "Quando eu poderia ter a qualidade de vida que eu tenho aqui, ganhando o tanto que eu ganho no Brasil?" diz Luis justificando o nao retorno. Sao dois amigos figura. Cada um mais engraçado que o outro. Estavam em Porto porque iam no consulado pegar uns papeis que permitiam a eles morar na Europa de forma legalizada.
E eu falei pra eles porque eu estava là.
"Uai, entao vamos com a gente no consulado porque de là a gente vai pra estaçao porque temos que ir pra outra cidade e voce nao precisa gastar dinheiro com taxi."
Aceitei!
Chegando no consulado havia umas 5 pessoas na porta esperando abrir. Todos brasileiros. Cada um contando a sua historia de sofrimento e conquista. E eu contei a minha, e de como eu tinha parado ali no consulado.
"Voce vai pra Lisboa de trem?" - perguntou um deles logo apos eu ter exclamado seu questionamento.
"Vou"
"Nao cara... voce vai gastar uns 30€ e vao ser umas 6 horas de viagem..."
Foi que um outro falou:
"Hm... la pelas 13hs eu to indo pra Lisboa de carro, se voce quiser uma carona..."
Aceitei!
Todos brasileiros se ajudam muito. Cada um dando dicas sobre o que fazer pra conseguir a documentaçao tal ou ate mesmo indicando pra outro emprego. Trocam telefones e desejam sorte.
O Jader e o Luis ainda me levaram numa lanchonete e me empanturraram de comida. De todo o tempo que eu estou aqui na Europa eu nunca comi tanto como as poucas horas que passei com eles.
"Come cara, a gente sabe que voce vai comer agora so quando chegar em Lisboa! E guarda seu dinheiro que voce vai precisar dele!" (Realmente precisei!) Me passaram o tel deles. "Se precisar de alguma coisa è so ligar..." Agradeci por tudo e eles seguiram o caminho deles.
Por volta das 13hs eu estava no carro com Silvano e sua familia indo pra Lisboa.
Eles moram la a 7 anos e tinham ido em Porto buscar uns documentos que lhes tornavam portugueses. O Silvano trabalha em um restaurante, a sua mulher em um escritorio. Pensam em voltar ao Brasil so pra passar as ferias, como ja o fizeram .
Durante a viagem o Silvano me falava sobre como era mais facil emprego ali a tempos atras, que hoje esta começando a ficar saturado. Eles me falavam sobre a facilidade de comprar um carro, um computador e etc.
"Aqui compensa mais comprar um carro 0 do que mandar arrumar o carro."
Fizemos uma parada em Espinhos, vimos as belas praias e por volta das 5horas da tarde estavamos em Lisboa.
Ele me levou ate na rua do albergue que eu ia ficar, pra eu economizar ate com metro. Pediu pra eu anotar o seu telefone pra qualquer coisa.
"...ate mesmo se a imigraçao tiver barrado sua namorada, me liga que eu posso ajudar..." (o que quase aconteceu por sinal)
Agradeci por tudo e pus os pes em Lisboa, ali, na esquina da Almirante Reis com a rua dos anjos... sem gastar nada!


Lucas

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Pomba gira

Eu vou postar um negócio aqui porque o Lucas tá ameçando postar antes, e eu sei que ele faria uma versão deturpada dos fatos.

Bom.No dia seguinte ao que chegamos em Lisboa, dia 07, fomos passear, e acabamos parando numa pracinha, perto do Tejo.
Devo ressaltar que tínhamos acabado de acordar.
Chegando lá vi uns pássaros e comentei com o Lu:
"Nossa Lu, que pombas supernutridas!"
Ele respondeu:
"Não Ná...São gaivotas".

Fim.

Nem é engraçado.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Bem, vai dar pra postar agora.
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Aqui é bem diferente do que eu estava acostumada.Nunca fui em Ouro Preto, mas o pessoal diz que é muito parecido, só que melhor.Festa, todo dia.
O Mondego(rio)é fenomenal, maravilhoso.Essa cidade é apaixonante, é muito acolhedora e bonita.
Conheci um monte de gente, grande parte brasileiros, para ser mais específica de Minas e João Pessoas.Minas Gerais vai dominar o mundo!
A maioria dos brasileiros aqui faz direito, dado que é uma faculdade muito renomada e tudo mais.Para quem é do direito, morram de inveja, vou ter aula de constitucional com o Canotilho!Uhu!
Detalhe que só existe uma prova.Valendo 20.10 pra passar.E quem vai muito bem tira 12.

Bem, a cidade de Coimbra é por si só um monumento de histórico.Você tá andando numa viela(onde, indefectivelmente existe um bar) e dá de cara com a casa do Eça de Queirós.Muito jóia.
A comida é barata, por 2 euros você come sopa, pão, bacalhau com natas(eu amo bacalhau, mas tem carne para os mais agitadinhos), agua e sobremesa.Já comi pastel de Belém até.Reza a lenda que toda mulher engorda uns 5 kg em Coimbra.

And she loves him

Dia 12 mesmo

Olá amigos.Não sei se vai dar pra atualizar o blog sempre, hoje entrei aqui e coloquei mais ou menos o que aconteceu dia 06 e 07, mas ainda falta muita coisa.

Tenho que sair daqui a pouco, mas de qualquer forma, vou deixar algo registrado aqui.

Hoje e meu gajo Lu fazemos seis meses de namoro.Os melhores seis meses de todos os tempos.Esse post é só um agradecimento público para todos aqueles que fizeram com que isso fosse possível.Ou seja, pra você mio amore, o meu muito obrigada.

Liebe dich!

Ah..dia 14 é dia dos namorados na Europa.Nós vamos comemorar em junho mesmo, mas o pessoal aqui não é muito dado a rompantes romanticos, quase não vejo publicidade em cima dessa data, e olha que taí.Mas também, cidade universitária...Ouro Preto aprendeu a ser Ouro Preto com o povo daqui.Mas isso é assunto para outro post.Coimbra merece vários posts só pra ela.

Pra não dizer que não falamos das flores

Lisboa, 06 de fevereiro de 2008, 18:00

Então eles se encontraram...Ali na esquina da Almirante Reis com a Rua dos Anjos.Após 10 dias de uma separação extremamente dolorosa, estavam juntos novamente.

E isso, caros amigos, não há nada no mundo que substitua.

Mas, infelizmente, os maravilhosos dias na (horrível) cidade de Lisboa passaram muito rápido.Dias regados a vinho, peixes, cobertores e um sol nível Brasil de qualidade.

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No primeiro dia, fomos jantar num Restaurante o Rossio, um monumentozinho chumbrega.No restaurante os garçons eram todos brasileiros.Comemos lula e bacalhau, tomamos um vinho e depois fomos pra casa, num vento mais gelado que qualquer coisa do mundo. O albergue que ficamos é de um luso-francês, seu Azard, gente bonissima.20 euros por dia, cama de casal.Inclusive, viajar de casal é bem mais barato, porque se fossem dois solteiros pagariam 20 euros por cama.

Bom, no outro dia acordamos tarde, e fomos passear.Andamos até o Tejo, que é bem bonitinho, parece um mar. Não sou a pessoa mais indicada pra comentar Lisboa, pois, apesar de ter adorado lá, por causa do Lucas, a cidade é péssima.As pessoas são péssimas.Aqui em Portugal, ou você é do tipo que gosta do Porto ou do tipo que gosta de Lisboa.Decididamente eu sou do tipo que odeia Lisboa.

Mas enfim.Fomos também no castelo, esse sim maravilhoso, lindo mesmo.Dá pra ver a cidade toda lá de cima, é giro!(giro=legal)

Lógico que pra subir sempre tem uma escadinha.Se algum dia você estiver em Portugal e te falarem que tem uma escadinha pra chegar no lugar, pode começar a chorar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Lisbon revisited

Aguardem cenas dos próximos capítulos...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Aeroporto de Guarulhos, um , dois, vários barulhos

(É verdade.Obrigada Milhouse.)

Lisboa, 12:03, 06/02/07



Eu descobri porque fiquei em casa esse tempo todo.



Vou transcrever meu caderno do Batman.



05/02/07-Aeroporto de Guarulhos, um, dois, vários barulhos



Meu comentário sobre esse aeroporto se resume no que eu disse ao velhinho atrás de mim na fila de embarque da TAP - Eu estou no aeroporto do meu próprio país e não entendo nada que as pessoas ao meu redor estão dizendo.

O que é ótimo, aliás.Na verdade...significa que eu realmente devo estudar francês, espanhol e coreano com mais afinco.



Por outro lado, tem uma portuguesa sentada na minha frente aqui no saguão com a maior cara de bosta que eu já vi.Não sei se ela é portuguesa mesmo, não tive a infelicidade de falar com ela, mas ô criatura antipática.



Nossa.Ou os brasileiros que vão à Portugal são muito estranhos, ou os portugueses que vem ao Brasil são bizarros.E a fama das brasileiras lá fora(no exterior, não do lado de fora do aeroporto) tem sua razão de ser, porque as únicas que realmente sei que são brasileiras tem a maior cara de "Vamos nos prostituir na Europa" que eu já vi.Saias curtíssimas(ahhhhh esse povo de Portugal tem que falar a minha língua puxa vida, não entendo nada que é dito no alto falante) nem um pouco combinando com o friozinho de 10 graus que tá lá.



Mas que povo feio.Novamente a dúvida: o português que vem pra cá é feio ou o brasileiro que vai pra lá é que é?

Espero que a primeira opção.Por outro lado,uma coisa seja dita: o sotaque português, quando eles resolvem falar devagar é muito gostoso de escutar.



(A portuguesa-francesa-espanhola fica me olhando, vou dar um soco nela.Não,mentira, nem



HORA DE EMBARCAR



VOLTEI



Ainda bem que essa criatura maldita ficou lá na frente, e nem foi na 1 classe, foi na frente mesmo.A 1 classe é do lado.



Enfim, estou dentro do avião TAP no meio do corredor(imagina que bela vai ser a paisagem) e tem uma pessoa (?) muito esquisita à 2 cadeiras de mim.Acho que o silêncio vai imperar por aqui.



Antes de embarcar aconteceu uma coisa engraçada.Um cara na minha frente tirou o livro "1808" sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil, da mochila e eu comecei a rir.Ele me olhou com uma cara de "tá me achando com cara de palhaço?" aí mostrei o meu livro, idêntico.É a escolha mais óbvia de quem vai à Portugal.



Bom,não vejo a hora de encontrar mio amore italiano lá na Lisboinha.O Gustavo (amigo meu do direito, ficou em Porto ano passado) me disse que de Coimbra pra cima todos odeiam os Lisboetas.Tenho a impressão de que vou descobrir porque.



As aeromoças tem um claro semblante de quem odeia trabalhar em meio à brasileiros.Incrível a relação de amor e ódio que o resto do mundo tem com o Brasil.



Ahh.Que sono.Consegui cochilar no banco de fora do pomposo aeroporto de Guarulhos, mas ainda tô pregada.Aliás, isso de cochilar no banco me faz pensar se me deixariam lá caso eu fosse um mendigo.Acho que não.Mendicância=ruim para a imagem do aeroporto, estudante dormindo no banco = bom, faz com que ele pareça cosmopolita.



Ah, cansei por hoje.Ainda faltam umas 5 páginas de caderno.



Tchau.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Avise o pessoal lá em casa que hoje eu não volto mais

Estou no aeroporto de Guarulhos, e cheguei a uma conclusão.A conclusão é:

O QUE É QUE EU FIQUEI FAZENDO EM CASA ESSE TEMPO TODO?

Puta que pariu, viajar é bom demais.Eu adoro esse aeroporto(tudo bem, é a primeira vez que eu venho aqui), adoro essa porcaria de cidade barulhenta, adoro aviões, adoro a TAM, adoro o velhinho que me deu um jornal, adoro a minha roupa de frio, adoro as pessoas vestindo burcas, falando espanhol, inglês e sabe-se lá mais o quê...

Ah nem viu, que coisa boa que é isso aqui.

Tinha esquecido como é isso de viajar de avião, e Nossa Senhora, é lindo.

Mas o mais legal de tudo, é que quando eu chegar em Lisboa(e já li no jornal-obrigada velhinho- que Belém é lindo, e é lá mesmo que nós vamos, já que a Avenida da Liberdade -onde fica o hostel- é lá perto, às margens do Tejo) meu namorado vai estar à caminho de Lisboa, saindo de Porto.Ô vida boa.

Disque lá em Portugal chove mais que na Amazônia, mas desisti de levar guarda chuva.Foda-se.

Um dia desses eu não volto mais.

(Mas eu mando buscar você Ivan, e o meu pai, podem ficar tranquilos)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Adeus Muchachos!

Uberlândia, 20 e 36, dia 04.

Olha só que coisa.Finalmente tenho algo a dizer.E é: tchau.


Brincadeirinha.

Eu não sei muito bem como eu deveria estar me sentindo, mas acho que definitivamente não é como estou realmente sentindo.Na verdade, eu não estou sentindo nada, absolutamente nada, nem ansiedade,nem medo.Talvez quando entrar no avião isso mude, mas tô achando que tenho uma conexão do cérebro desligada em relação a esse tipo de situação.

É claro que eu sei que provavelmente vou me ferrar lá a vontade, que vou estar sozinha nesse mundão todo, que muita coisa pode dar errado...Mas sei lá, a chance é sempre de 50% né.

Lógico que também ajuda saber que o Lucas vai estar ali por (relativamente) perto, a Ju também.Sei que vou ficar longe de todo mundo e tudo mais, mas poxa vida.São seis meses.Não é nem uma gestação.

Mas enfim.Lá do aeroporto de Guarulhos(se a chuva me deixar chegar lá), posto alguma coisa.

Tchüs!

03/02 - 11:57am

Ontem eu andei tanto que meus pès doem sò de lembrar. Sai daqui de tarde e fui procurar um lugar barato para almoçar. De acordo com o Andrea, do outro lado do rio o preço das coisas eram menores por haver menos turistas. Andei ate la e nao achei nada mais barato. Comi uma lazagna vegetariane por 5€. Eh interessante que aqui eles consideram a existencia de vegetarianos. Em todo menu sempre hà o espaço veg. E quando nao tem tal espaço, embaixo do nome do prato eles avisam se è ou nao para vegetarianos.
Depois disso achei uma net por 2€ a hora. E è o mais barato que se pode achar. Usei ela para fazer uma pesquisa de preço e acabei comprando minha passagem para Porto. Um dia antes, conversando com uma garota da Londres da minha sala, falei que eu precisava ir para Lisboa de uma forma barata, entao ela pegou uma folha e anotou alguns sites que fazem voos baratos:
www.ryanair.com
www.easyjet.com
www.ba.com
www.flybmi.com
E aquele site que eu ja tinha postado aqui, skyscanner.net, que olha nos sites de todas as cias aereas e fala a opçao mais barata... mas nem sempre è certo.
Voos diretos daqui a Lisboa sao carissimos, entao olhei um voo para alguma cidade na Espanha, e, parece brincadeira, mas achei para Barcelona por 14€ a ida, e 1 centavo a volta. Sim! Sò que na hora da compra eles colocam uma taxa de 40€ de embarque e 15€ de seguro de vida. Mas ainda sim, muito barato. De Barcelona para Portugal achei um voo na mesma faixa de preço, mas que chega em Porto. Sò que o voo sai no outro dia, por mim, de boa. Quando se compra passagem barata, voce nao tem muita opçao de escolher horarios. Eh aquilo e pronto, levar ou largar.
No total paguei mais barato que ir de Uberlandia a Sao Paulo ida e volta de aviao. E finalmente poderei encontrar a Naiara. Eeee saudade!
Depois disso continuei caminhando, vi a Piramide, e depois me perdi e fui obrigado a caminhar por quase 1 hora contornando 1 muro medieval. Sabe? Daqueles que se constroi no Age of Empires! Sò que esse è de verdade. Loco nè? Doppo encontrei o Coliseu, entao achei o caminho de casa.

02/02 - sei là que horas sao. Deve ser de tarde.

Caramba... que dor de cabeça. E tudo que eu tomei foi uma caipirinha horrivel.
Tudo começou assim: Ontem a noite teve uma festa na escola... carnaval de mascara. Sim, sò deu axè. A minha sala combinou de ir todo mundo, entao eu fui.
Tomei um banho, conversei um pouco com o Andrea sobre como ir para Lisboa sem pagar muito e convidei para ir na festa tambem. Ele tinha combinado com os amigos dele de ir numa boate a meia noite, mas animou mesmo assim de ir na festa.
Minha ideia inicial era ir andando ate là na escola, nao tava afim de pagar 1€ para andar de onibus. 1€ = 2,80. E 2,80, ninguem aguenta. Mas eis que Andrea me diz que fiscal nao trabalha a noite... ainda mais, noite de carnaval. Parou um onibus do nosso lado, entramos e fomos sem pagar mesmo. Dentro do onibus eu percebi que esse costume è normal por là, mas nao se aplica em Londres, Paris ou outras capitais.
A festa parecia mais uma colonia de brasileiros. O pouco ingles que eu estava falando era com o pessoal da minha sala.
Enfim, nao tava muito animada a festa. Mas tinha uma parisience muito feia que estava dando em cima do Andrea. E eu, claro, botando lenha na fogueira, enquanto ele me olhava querendo me matar. Nisso, chegou um brasileiro, apertou as bochechas da francesa, abraçou-a de lado e falou para gente "Ela è da minha sala, chata pra caralho - virou para ela e perguntou - nào è mesmo? - e falou em italiano - Fala aquilo que eu te ensinei." e ela respondeu "Obrigada!" e ele "De nada!"
Pronto! Tinha encontrado minha diversào:
"Entao quer dizer que voce fala portugues?"
"Nao, so sei falar "obrigada" e "belza""
"Eh be-le-za"
"Ah... beleza?"
"Sim..."
"Obrigada hehehe"
"Deixa eu te ensinar outra palavra: "boy-o-la"
"Bo-ò-la?"
"Nao... boyola..."
"Boyola?"
"Sim... isso, ja sabe mais uma palavra em portugues"
"E o que significa?"
"Significa "uma pessoa legal" Com licensa que eu vou ali... ja volto" - o Luis, um brasileiro, tinha me chamado. Sai de perto dela, mas quando retornei, là estava ela chamando o Andrea de boyola e ele repondendo "Obrigado!".
Eu e o Luis, acabamos indo com o Andrea para tal boate, que inclusive era perto de casa. La encontrei mais um monte de brasileiros que moram e trabalham aqui ja a 1 ano.
A boate è um apartamento enorme e velho. Com varios ambientes e variados estilos de muscia. O Andrea nos apresentou os seus amigos e ficamos ali conversando a noite toda.
Acho que eu devo ter fumado 1 maço de cigarro passivamente. Todo mundo nessa cidade fuma. As fumaças que voce ve nas ruas vem da boca dos romanos, e na boate todos acharam estranho o fato de eu nao fumar. Foi estremamente sufocante.
Uma coisa engraçada, foi ver varios homens vestidos de mulheres. Mas falando como homens, agindo como homens e andando todos desengonçados (se è que existe essa palavra) em cima daqueles sapatos.
Aqui no carnaval, a tradiçao è de os homens vestirem de mulher e festejar mesmo, com confetes e tudo mais. As ruas de Roma estao cheias de confetes e serpentinas. Nada de abadà, ivete sangalo e globeleza.
Carnaval mais tradicional que esse aqui, sò o de Veneza... 20€ para ir atè là... e ai?

01/02 - 9:42

Dia 31 eu nao escrevi porque cheguei tarde. Alias, tarde nao... cansado. O dia foi praticamente normal. Acordei, tomei cafè, fui para a escola, comi, estudei, voltei. A noite, comi uma pizza gigantesca por 6€. Essa sim me satisfez, e como nao estava afim de voltar para casa, fui andar um pouco.
Alguns minutos depois surgiu um castelo na minha frante. Castelo de S. Angelo. Ja tinha ido là, mas de noite fica muito mais bonito. E a minha esquerda, a Basilica de San Pietro.
Fiquei alguns minutos là, admirando. De frente a Basilica tem uma rua que vai ao seu encontro e depois bifurca contornando-a. Eh interessante observar que todos os veiculos que passam ali andam bem no meio da rua. A Basilica tem esse poder mesmo de ser um pouco hipnotica. Voce olha e fica pensando quantos segredos ja nao passaram por ali. Là dentro, como era de se imaginar, è gigantesco, e alto.
Havia alguns turistas por ali e tambèm um homem de tunica marrom, um cordao na cintura e pouco cabelo na cabeça, que estava ajoelhado rezando. Aqui è realmente um lugar para quem tem fè. Esses dias para tras, quando entrei la dentro, passei pelos tumulos dos papas. Em frente ao tumulo do Papa Joao Paulo II havia uma aglomeraçao de pessoas, algumas chorando, outras rezando, outras deixando rosas, outras fazendo tudo isso ao mesmo tempo. Uma musica tocava ao fundo e tinha guardas dos dois lados do tumulo e o primeiro deles mandou eu tirar minha toca.
(Tirei algumas fotos de là durante a noite, mas sempre esqueço de trazer o cabo da maquina pra passar as fotos pro pc... entao, um dia qualquer eu ponho fotos aqui.)
Bom, ontem a noite depois disso fui voltar para casa. Errei o caminho e jà estava entrando em um bairro cheio de muros e cameras que seguiam minhas passadas. Atras dos muros, mansoes gigantescas que pude ver pelos portoes. Percebi que era o caminho errado, voltei e cheguei em casa depois de quase 40 minutos de caminhada. Fim.

30/01 - 23:21

(Foi mal galera, nao postei porque nao deu mesmo. Todo lugar que eu ia estava lotado os computadores... e outros dias nao postei porque estava com preguiça mesmo.
- Thiaguera, saudade de voce tb rapaz!
- Fram, aqui è impossivel achar acentos no teclado. Os unicos que tem como: è, ò, à, è porque "fazem parte do alfabeto".
- Marcones, nao falei mais sobre a Basilica porque meu tempo na net tava acabando, e eu quero dedicar um post sò sobre ela.
- Esmera, ainda nao sei como chama o indiano.
- Joao, pode deixar que eu te ligo qualquer hora.)

Voltemos ao diario:

Conversando com o indiano no dia anterior, ele citou o nome da Piazza que ficava o tal fast food. E hoje resolvi ir là. Acordei, tomei o meu cafè da manha, estudei um pouco e entrei no ritual de preparaçao para saida: blusa de frio, toca, polchete, oculos, dinheiro, mochila, caderno, caneta, pacote de biscoito (andar da fome), garrafa d'agua, dicionario e o mais precioso de todos, o mapa.
Chegando na piazza Vitorio procurei o tal fast food. O lugar era bastante beira de estrada... estrada indiana. Ja que eu tinha caminhado tanto, e to aqui mesmo è pra me fuder, entao entre e arrisquei.
Do lado de là do balcao, tinha um tiozao com um ar de motoqueiro aposentado, somado a um cozinheiro de penitenciaria. Tinha ate um pano pendurado no ombro.
"Bom dia!" - disse eu
"Bom dia!"
"Como funciona aqui?"
"Vai comer aqui?"
"Vou..."
"Eh assim, voce escolhe 2 desses e eu sirvo" - ele apontou pro bandejao. Tinha arroz... caramba... arroz... ja fazia uns 5 dias que eu nao via aqueles belos graozinhos brancos. Fora o arroz todo o restante era uma coisa pastosa. A coisa pastosa verde ele chamou de espinafre com queijo, e como foi o unico nome que eu entendi e que nao me pareceu ser algum animal morto, eu escolhi ele... mais o arroz.
Ele pediu para que eu sentasse na mesa e esperasse. Gritou alguma coisa em sabeselaquelinguaehaquela para um rapaz, que depois da ordem colocou na minha frente uma garrafa de agua, um copo de plastico e uma colher de plastico.
Enquanto a comida nao vinha fiquei vendo na televisao que tinha no fundo, aqueles video-clipes indianos engraçadissimos. Aquela musica chorosa sò nao era a unica a quebrar o silencio do lugar porque atras de mim tinha um homem gritando com outro que permanecia com a cabeça baixa, numa lingua daquele estilo que no final diz-se "ALà" e explode.
Minha comida chegou num bandejao que dividia o arroz da pasta verde e da "salada". Salada = duas fatias de alface, 2 de pepino e cebolas. Ao comer lembrei dos e-mails que minha prima que està na India manda, alertando sobre a comida indiana, que tudo tem pimenta. Tudo isso me fez aprender mais uma coisa. Nao gosto de comida indiana! Mas è claro que, quando o indiano do phone center me perguntou se eu voltei là, eu respondi:
"Sim, sim. Muito, muito boa a comida!"
0,50 € de desconto!

obs: porca miseria, desde esse dia nao ganhei mais nenhum desconto...

sábado, 2 de fevereiro de 2008

É ritmo de festa

Uberlândia, terra gentil que seduz.

Tá chegando a hora, que legal.

Comprei meus euros ontem, então tá tudo ok.

Não tenho nada pra postar, ainda.

Fim.