segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

The Apple Store!

Ao sair do Central Park voce encara paredes enormes de prédios gigantescos, mas ali no cantinho, parecendo meio que uma pracinha no meio de tudo, tem um cubo de vidro e uma grande maçã branca.
Ao se aproximar você percebe que há uma escada, e ao pisar no primeiro degrau, um japamericano sorri pra você, abre os braços e diz "Welcome to the Apple store!".

A loja da Apple não parece que foi feita para vender nada! São vários notebooks, ipods e etc, dispostos em mesas em todos os lados, no qual você pode utilizar tudo, entrar na internet, jogar jogos, etc etc. E qualquer cara de dúvida que voce esperimenta fazer diante de qualquer coisa, uma pessoa vem até voce e te explica como funciona e te deixa a vontade. "É um extintor de incendio! Para utilizá-lo basta puxar esta alavanca e pressionar esta parte! Mas voce nao estaria mais interessado em jogar Star Wars 3D diante daquele monitor de cristal liquido de 29 polegadas?"






A Apple sabe muito bem trabalhar seu Mix de Marketing. Divulgando a empresa, criando empatia com a marca e quebrando a barreira de se utilizar um Mac.
Além de ser tudo bonito e com cara futurista!
Nunca antes tinha tentado utilizar um Mac, e agora só penso o tanto que seria interessante ter 1. Alguem aí está afim de comprar meu notebook? hehehe

domingo, 28 de dezembro de 2008

de New York

No aeroporto anunciavam para não pegar transportes clandestinos, então obedecemos, mesmo sobre o protesto daqueles que nos ofereciam. "Voces vão demorar 3 horas pra chegar até Manhatam". Pensei que era uma maldição que aquele indiano jogava sobre nós, ou coisa assim. Entramos no metro com as direções que o hostel que ficaríamos nos enviou por e-mail e 5 estações depois descobrimos que ainda estávamos dentro do aeroporto, e só depois de entramos na casa das dezenas de estações, saímos do metro e pegamos um trem urbano. Depois disso foi sentar e esquecer da vida.
Tempos depois chegamos numa estação da Broadway, onde 2 homens negros tiravam um jazz das veias através de um baixo e um saxofone. Na caixa de instrumentos estava a demonstração de aprovação do som pelos passantes, o que me fez concluir de uma vez por todas que se voce toca um instrumento musical, nao passa fome em nenhum lugar, mas em Nova Iorque, voce só nao passa fome como também consegue comprar um carro... uma casa... e um mac.
Trocamos de metro e esquecemos da vida de novo. Saímos do aeroporto as 7 horas e chegamos no hostel as 10 e meia da noite. 3 horas e meia do aeroporto ao hostel, na mesma cidade, internamente eu desejava que aquele indiano caísse e quebrasse o braço.
O nosso hostel ficava no Harlem, um bairro no norte da ilha, que aconselho não andar por ali a noite, a não ser que voce esteja interessado em comprar drogas.
No outro dia a chuva torrencial não nos impediu de atravessar todo o Central Park e de descobrir um jeito de se comunicar com os esquilos. É só sentar em algum lugar, pressionar a lingua no céu da boca e puxar a saliva que vem ao seu encontro todos ticos e tecos e milhares de pardais. Quando eles percebem que voce não tem nada a oferecer, vão embora. Mas aí voce faz o som de novo e eles voltam. É engraçado.




Nesse dia andamos da rua 129 à rua 34, onde está localizado o Empire State (re)Building, o topo do prédio as vezes ficava encoberto por nuvens, o que aumentou a minha vontade de subir no mirante do prédio. O que me fez passar a vontade foi os 20 dólares que tinha que pagar. Mas depois de um tempo descobrimos que 20 dólares é igual a 5 reais! Tudo aqui é muito caro! 20 euros em Portugal era possível que eu e a Naiara saíssemos de Coimbra, fossemos até Porto e comeríamos um bacalhau!

Por isso mesmo já tinhamos prevenido e conseguido um Couch Surfing na cidade. A Naiara já havia postado uma vez sobre isso, mas recapitulando é assim: www.couchsurfing.com voce encontra diversas pessoas que estão disposta a hospedarem outras pessoas de graça em suas próprias casas. No site voce pode visualizar a avaliação de todos, assim como depoimentos de pessoas que já se hospedaram com a hospedeira potencial e classificação no site de acordo com a pontuação. Em Coimbra, eu e a Naiara tivemos a oportunidade de hospedar um brasileiro que viajava por Portugal. Jogamos um colchão velho na porta do banheiro e para ele estava mais que ótimo.
Quando se hospeda por Couch, tem que estar disposto a tudo! Por isso mesmo é sempre bom levar um saco de dormir. Nada de frescuragem, apenas um teto e um banheiro!
Estávamos preparados, qualquer coisa seria melhor que o hostel que estávamos, mas não esperávamos que seria 1 milhão de vezes melhor.
O nosso Couch, Fernando V., nos buscou de carro no hostel, nos levou para o prédio e nos entregou uma chave de um apartamento... só para nós! Ele morava no apartamento de cima. Um superquarto, uma cozinha e um banheiro, de graça! Enquanto tinhamos pagado 40 dolares por um quarto xulezento com um exército!
Passamos lá duas confortáveis noites, e acordávamos descansados para mais uma caminhada de quilometros na selva de pedra.
A chuva continuava forte, as poucas vezes que diminuia nos permitia tirar algumas fotos. O vento corria com força entre os prédios enormes que formavam dutos de ventilação, e isso inspirava as pessoas a construirem montinhos de guarda-chuvas (sabe-se lá como é o plural dessa palavra) nas esquinas da cidade.
Demos uma passada rápida por tudo, sem nenhuma visita mais profunda. Vimos a ponte do Brooklin, toda a Financial District (com direito a Wall Street, e o Boi que está fudendo todo mundo), acenamos para a Estátua e visitamos o enorme buraco que se encontravam as torres! Que afinal de contas, estão em plena construção para uma torre maior ainda!
Foram 2 dias e 3 noites que nos permitiu tirar a prova real de que N.Y é uma cidade PUTAQUEPARIU DE GIGANTESCA, e cara! Muito cara!
Por isso mesmo nos despedimos do Mr. Fernando e embarcamos num trem para Washington, onde encontrariamos com meu primo que já mora aqui a mais de 7 anos!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Por que não odiar os EUA

Já dizia meu amigo Einstein que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito, o que é, como grande parte das coisas que ele disse, uma grande verdade.Mas acho que quando você vê o que acontece in loco, na real mesmo, é mais fácil mudar um pouco a sua visão.
Antes de mudar para a Europa, eu odiava os EUA, e adorava, idolatrava, o pensamento europeu.Quando você estuda Direito, o que se aprende é basicamente uns alemães pra cá, uns franceses pra lá e uns italianos acolá.Logicamente isso tem bastante a ver com o nosso sistema jurídico.Não aprendemos os defeitos dos sistemas europeus, mas somente suas enormes virtudes incontestáveis.E, do que eu pude perceber, a Europa, a União Européia, são um perigo para a humanidade.Possuem uma legislação xenófoba, racista, extremamente europeizante, voltada para uma população com as características anteriores ao quadrado.Enfim.Muitas pessoas tem experiências positivas,mas para quem estuda Direito é uma decepção.
Bem.Após seis meses morando em Tugal, meu pensamento sobre os EUA já era completamente diferente.Nada do tipo "eu amo a Coca Cola", mas como que uma dúvida se os EUA seriam assim tão terríveis.Aliás, o governo Bush, a guerra e etc são sim terríveis, a dúvida era mais em relação à população.O governo italiano é terrível, e não tem um mundo inteiro contra eles, o que seria algo bem sensato.
De qualquer forma, toda essa introdução foi para dizer que, até agora, o povo norte americano é bem amigável.Muito educados, e bem menos preconceituosos que os europeus, mesmo porque o país deles é formado por 80% de Colombianos e Jamaicanos,mas isso é assunto para outro post.Os últimos dois governos deles foram um lixo, não há como negar, mas acho que se redimiram muito nesta eleição.Pode ser que o Obama(o cara mais pop do universo) nem faça um governo tão bom assim, mas ele é negro(o que em um mundo ideal não deveria significar nada, mas não sejamos tão ingênuos ao ponto de achar que no nosso mundo atual não seja algo de formidável)e democrata, o que demonstra uma total mudança de posição.De qualquer maneira, os EUA mandam no mundo e esse para mim é o motivo de ódio principal, dado que existem outras nações tão cruéis quanto.O poder,é isso que gera ódio, e não propriamente um amor pela humanidade.Obviamente que eles utilizam o poder para várias coisas extremamente perversas, eu particularmente também não gosto do governo deles, mas acho a população em geral bastante mais "lidável" que a européia, como já disse acima.
Então.Lógico que não adianta nada eu falar isso, porque a experiência de mundo de cada um é muito particular e dificilmente duas pessoas possuem a mesma opinião sobre um lugar e sua população.Mas acho que a gente às vezes tem que parar para pensar e ver que nenhum lugar é completamente ruim(a Europa tem o Cervantes e o Saramago)ou completamente maravilhoso.E que isso de Brasil tem muito de bom.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Da travessia do Atlântico

Tudo bem, totalmente compreensível ninguém acreditar que estamos nos EUA. Mas de fato estamos, e o motivo por não termos contado a ninguém é que imaginamos o quão engraçado seria deixar todos confusos, e gostamos muito das nossas imaginações serem verdadeiras.
(de fato foi)
Mas relato aqui passos e passos que deixar-vos-ão pasmos com a facilidade que se chama Viajar, e que tantas barreiras que pensamos existir, de fato não existem.

Bom, tudo começou por meados do dia 16 de novembro, quando soubemos que a senhorita dona da casa em que morávamos ia nos cobrar 300 euros pela casa, e não mais 150, já que o Giu (que dividia a casa com a gente) iria para o Brasil. 300 euros por uma casa que tem duas janelas (e nenhuma é no quarto), que é cheia de mofo, tem goteira, e as lâmpadas vivem queimando, é realmente um desaforo.
A Naiara estava estudando inglês e espanhol, já que para ser um diplomata precisa saber muito bem tais línguas, e o desespero bateu forte quando conhecemos o Paul (sem trocadilhos por favor, Paul é um sueco que fala um inglês tão perfeito e rápido que eu me senti no jardim de infância do inglês).
E nesse dia de novembro, nos perguntávamos onde iríamos passar o reveillon. Naiara insistia que queria passar num local cheio de gente, e em Portugal definitivamente não existe um local desses. Lugar cheio de gente seria o Rio de Janeiro, mas teríamos que ir para o Brasil e comprarmos coletes, o que não era uma opção, falei então "Que tal Times Square?" (o que estamos percebendo que é uma fria...literalmente).
Pergunta jogada no sentido brincalhonista, daqueles de se sonhar "NÓOO rolava hein.." e nada mais... depois a Naiara foi pro trabalho dela, e eu fui pro hostel. E lá foi que eu pensei melhor "Porque não?".
Ela chegou do trabalho com a veia do pescoço soltando as vistas, e exclamando que trabalharia lavando esgoto (sabe-se lá pra que lavar um esgoto) mas não voltaria naquele emprego, então falei: "Bora pros EUA?" ... silêncio e feições do tipo "está falando sério?", e resposta do tipo "Bora dimais!!!". Fizemos as contas e contando tudo o que tinha no cofrinho do Marcão, possuíamos a quantia de 500 euros, e eu ainda receberia mais uns 500, então era isso! Me certifiquei se o sr. Marcota iria precisar da grana pra já ou eu poderia pagar assim que voltasse, ele falou pra relaxar e gozar. Partimos então à procura de passagens aéreas e cruzamos os dedos pra existir uma Ryanair transatlântica. E vualá 250 euros Barcelona - New York, dias 18 e 25 de novembro e também dia 9 de dezembro. Só faltava o visto da Naiara e certificar se o meu ainda valia mesmo (já tinha um visto pra cá), assim compraríamos as passagens e pronto!
Pesquisamos na net, marcamos a entrevista, 5 dias depois fomos pra Lisboa, e 5 segundos depois a Naiara sai de lá gritando UHU! Em 3 dias o visto estaría na nossa casa e o meu ainda valia. Voltamos, compramos a passagem, avisei no hostel que trabalharia até dia 6, fizeram uma super festinha brasileira com direito a caipirinha e samba, e assim foi nossa despedida. Vendemos o que deu pra vender, despachamos o que não dava pra ficar sem, e o resto ficou pra trás... e ficou TANTA coisa! Roupas e mais roupas que não daria pra levar na viagem. Nós pagamos 250 euros? Acha mesmo que daria pra levar mais de 20 kg de bagagem? Aí veio um grande aprendizado de desapego das coisas materiais...
Dia 6 pegamos uma carona para o Porto com o Fábio, um hóspede do hostel que eu trabalhava. Nos deixou no aeroporto e lá embarcamos para Barcelona onde ficamos até dia 9. Barcelona fenomenal como sempre, e ainda fizemos uma grande descoberta. Numa ruazinha qualquer do Bairro Gótico entramos numa taberna, cuja porta de madeira cairia a qualquer momento, lá tinha um catalão gordo por de trás do balcão, com o velho clichê do pano de prato sujo jogado no ombro, em uma das mesas de madeira tinha uma velha resmungona que fumava um cigarro e bebia uma cerveja, em outra tinha um rapaz suspeito qualquer com um óculos escuro, e na outra mesa um casal punk que nos convidou pra sentar com eles, o que fizemos, e na Tv... simpsons. Comemos uma tortilla e uma porção de calamares boiando em poças de óleo. Custo total: 2 euros. Não se come barato assim nem em Portugal... a noite esperamos pela dor de barriga mas nem veio...
Dia 9 então, voamos pra Dublin, com direito a um carimbo de saída da união européia e o meu retorno a legalidade. Em Dublin passamos 3 horas no aeroporto e assim que o Sol começou se pôr, às 4 horas da tarde, embarcamos num avião para NY, o qual ficamos por 6 horas voando com um pôr do Sol na janela. E quando o Sol se pôs por fim, a escuridão durou apenas alguns minutos, quando o céu ficou iluminado por um mar de luz. Pensei muito em como poder descrever o que vi, e o mais semelhante é: sabe em Matrix 3, quando o Neo voa para a cidades das máquinas? E ele vê tudo em luz? Então... foi isso.
Voamos por NY durante uns 15 minutos e as luzes não acabavam. No céu dava pra ver outros aviões fazendo o mesmo trajeto que nosso avião, e quando pousamos vimos de perto 5 aviões levantando vôo.
Agora chegava a hora em que estávamos com mais medo, a imigração.
"O que veio fazer aqui?"
"Tô viajando..."
"Vai ficar quanto tempo?"
"Nem sei, 1 ou 2 meses..."
"Tem dinheiro?"
"Tenho... (NOT)..."
"Belezintão"
Carimbinho, fotinha, impressões digitais e NEW YORK, NEW YORK!

23 dias e 750 euros até chegar aqui, contando com preço de passagens, comida, hospedagem, e entrevista para o visto. Faltam 400 dólares, o qual estamos administrando muito bem obrigado, e depois contamos o segredo, mas já vai pesquisando: www.couchsurfing.com.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

START SPREADING THE NEWS...

we are leaving today!
WE WANT TO BE A PART OF IT...

domingo, 30 de novembro de 2008

Saramago é o tal, menos em Portugal

É engraçado como às vezes a gente pega as coisas no ar, sem ter uma idéia muito clara do que está acontecendo.
Já faz um bom tempo que estou em terras lusas, mas recentemente, prestando um pouco mais de atenção, percebi que há uma certa animosidade, ou indiferença com o Saramago.Não é que todos tenham que ficar babando no cara o tempo inteiro(apesar de ser mais do que merecido), mas ele é o ÚNICO ganhador do Nobel em língua portuguesa e um dos raros autores do país de Camões em destaque na literatura atual.Ou seja, seria de se esperar que, em um país extremamente nacionalista e orgulhoso de cada uma de suas particularidades, ele deveria ser idolatrado como um bezerro de ouro.Mas não.Não se ouve falar dele, ele não aparece em jornais ou revistas, a não ser naquelas noticiazinhas de rodapé geralmente reservadas para casamentos entre filhos de políticos, e quando perguntamos para o tuga x se já leu algum livro do Saramago, geralmente a resposta é um resmungo.Muito estranho, caro Watson.
Bom.Fui deixando essa idéia de lado, me preocupando com outras coisas, me espantando diversas vezes, como por exemplo,
na livraria:"Já chegou o livro novo do Saramago?"
"Não estou sabendo de livro novo nenhum"
"Tem certeza?Li no blog dele que ele ia lançar um, sobre um elefante, esqueci o nome"
"Não, não sei de nada"
Tudo bem, seria aceitável.Mas foi UMA SEMANA antes do lançamento do livro em Portugal.Incrível.
Além disso, o filme sobre o "Ensaio sobre a cegueira" estreiou aqui bem depois,fui no primeiro dia e não tinha praticamente ninguém no cinema.Só uns tiozinhos que, como disse o Lucas, deviam ser amigos do autor.
Como se não bastasse, ele mora na Espanha.Isso diz muita coisa para um português.Os portugueses, como regra geral, odeiam a Espanha, a comida da Espanha, a gente da Espanha, o idioma da Espanha, e mais do que tudo, os portugueses que moram na Espanha.Então, é claro, existe algo de podre no reino da Dinamarca.
Enfim.Essa semana, conversando com um amigo português numa festa, perguntei o porque disso tudo.Ele me deu uma resposta vaga, relacionada com a ditadura e etc, razão pela qual fui perguntar para a criatura(e se você me disser que ele não é um ser vivo,vai magoar meus sentimentos) mais bem informada da Terra:o Google.
"Saramago e Portugal", deu como resultado a resposta que eu procurava, por ser um motivo que entendo perfeitamente :"Saramago diz em entrevista que Portugal deveria ser uma província da Espanha".
Porra.Eu sei que Portugal é um país minúsculo, com uma indústria incipiente e insignificante comparado com a opulenta Espanha.Mas putaquepariu, imagina se falam para os Argentinos que deveriam ser anexados ao Brasil?Acho que eles não ficariam contentes.Nem a gente.
Não é uma declaração fácil de engolir.E o cara ainda casa com uma espanhola e raramente vêm a Portugal, além de, claro, não cumprimentar sob nenhuma hipótese o presidente.Mas essa é outra história.
Então.Não para por aí.Temos que levar em conta que Portugal é um país extremamente católico, conservador e tradicionalista.E qual é o livro que é indicado para o prêmio europeu?"Evangelho segundo Jesus Cristo", um livro nada tradicionalista, nada conservador e nadica de nada católico.Aí vetaram a candidatura do Saramago para o prêmio.O que gerou um certo stress entre o mesmo e o atual presidente, ministro que assinou o veto na época.Uma imbecilidade?Com certeza.Mas cada país tem a imbecilidade que merece...
Mistério resolvido, com a observação de que, em relação à nós, tropicais e bonitos por natureza, o Saramago é sempre uma gracinha.Educado, bem humorado e viaja ao Brasil regularmente.Mas quem gosta dele de verdade são os espanhóis.E não é para menos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

As idéias que não revolucionaram a humanidade(ainda)

Logo no ínicio dos anos 80, o pessoal dos EUA teve uma brilhante idéia: por que não prender as pessoas nas suas próprias casas?
Não, não, eles não inventaram a televisão, esta já prendia as pessoas nas suas próprias casas há muito tempo.O que ele pensou, numa tarde tranquila,em sua casa de campo foi:e se colocássemos um aparelhinho que impedisse as pessoas de saírem de sua própria casa?Inicialmente o tal aparelhinho dava um choque naquele que ultrapassasse o limite de espaço(normalmente o seu próprio quintal), o que acabou convertendo muitas sentenças de pena de prisão domiciliar em pena de morte. Isso, é claro, gerou alguns inconvenientes.
Hoje a prisão domiciliar já é aplicada em diversos países.Aqui na terrinha esteve em uma fase experimental e agora está sendo amplamente utilizada.Ou seja, menos gastos com carcereiro,comida, etc e menor possibilidade da rapaziada fazer aquela festa no presídio.Obviamente isto só funciona em casos leves,porque em casos de homício, estupro e etc, a galera quer ver sangue, e é mais seguro para o meliante estar na prisão. Em Portugal surge como alternativa à prisão preventiva, que é aquela na qual o delegado olha para a cara do cidadão e diz “tão falando por aí que você é culpado, vou te prender e ver se dá certo”.Lógico que dá certo.Cidadão no Brasil é sempre culpado de alguma coisa.
Sabe como funciona?Pegam uma coleirinha, colocam na canela do indivíduo e ela fica emitindo um sinal que é como o GPS para delinquentes.Eu achava, na minha vã ignorância que esse tipo de coisa só existia em filmes do Harrison Ford.Mas não.Até aqui na pacata cidade de Coimbra já implementaram a novidade.
Juridicamente?Penso que é Ok.Devidamente autorizado pelo Código de Processo Penal(ó meu Deus, palavras do Direito.Mas bem, é só um código.Diz o que as pessoas devem fazer, nesse caso juízes, advogados e promotores.Então, se você não for um deles, não precisa _e não vai_ entender.)e dado o consentimento de todos os participantes(o preso, a mulher do preso, o cachorro do preso. É sério. Existe uma coisa no direito chamada consentimentus caninus.Não.Brincadeira.).
Por outro lado, como todo eletrônico que se preze, ele está propenso a uma grande e enorme zica a qualquer momento do espaço tempo.Isso seria meio chato, dado tudo que foi investido e toda a expectativa gerada no meio jurídico.Além de que teriam que mobilizar uma galera para pegar todo mundo e por na cadeia.Claro, que numa situação dessa, só restaria aos meliantes ficarem extremamente revoltados, pegarem um mais sambanga pra refém, tacarem fogo nos móveis e etc.Mas, como estamos falando de Portugal,o máximo que fariam seria reclamar um pouco, resmungar outro tanto e falar mal_pra caramba_ do Brasil.
Enfim.Mundo mundo vasto mundo.

But you don´t really care for music do you?ª

Tudo nesta vida que vale a pena tem uma trilha sonora. Quando você beija pela primeira vez a última pessoa, quando sai de casa pra ver qualé dessa de mundo, quando ainda está no colegial e tudo se resume à umas preocupações tão baguás, as festas da faculdade, o casamento , e desconfio que também se ouça algum tipo de música na morte.E, sim, morrer é algo que vale a pena. Mas passando por alto por estes assuntos místicos-metafísicos, que se nem Deus, o Diabo ou a Globo (desde que se considere que esta não se enquadra na categoria anterior) conseguiram responder, não vou ser eu a me arriscar por esses caminhos. Enfim, não é esse o assunto dessa crónica, então deixa pra lá.
Voltando a trilha sonora. Você, que gosta de música, há de me compreender. Sabe quando você coloca o fone no ouvido com AQUELA seleção, a que te faz acreditar num mundo melhor, e de repente a sua vida parece um videoclipe? Esses momentos, de incrível sintonia com o meio ambiente e de empatia com a humanidade, definem o seu grau de amor pela música. É certo que todo mundo gosta de uma musiquinha ambiente e etc, mas convenhamos que musiquinha ambiente é música nenhuma. Eu me refiro aqueles que precisam escutar música, ficam emocionados com uma banda nova fenomenal, que toca num ponto que não chega bem a ser o coração, mas é alguma coisa lá dentro, um aperto no peito, uma sensação de deslumbramento. Então, esse post é para essas pessoas. Parafraseando o bailarino chefe do balé de Moscou, não para as pessoas que gostam de música, mas para aquelas que precisam dela.
Beirut. Sei, sei, falta um e, é uma comida e uma cidade e, nossa, que bom que isso é de conhecimento geral, mas o mais importante é que Beirut é uma banda.E que banda.
Eles são indie, mas não propriamente. Folclóricos, mas não propriamente. Alternativos sim, mas sabe-se lá o que é isso. Atualmente tudo que é alternativo se desmancha no ar. O pessoal do Beirut faz com que você se sinta na trilha sonora de um filme do Tim Burton, se ele fosse só surreal e não surreal e macabro. Faz você pensar que todos esses instrumentos musicais existem para algo mais do que a opulência de uma ou outra orquestra, e de que existe mais coisas no rock’n roll além da velha guitarra. Elephant Gun, uma música foda, com uma letra foda, e um clipe igualmente foda,já tocou no meu player sozinha um milhão de vezes. Acho que isso define bem o que eles fazem: essas músicas que a gente não enjoa de ouvir, ainda que tente bastante.
Então. Essa foi a minha trilha sonora na última viagem que fiz , e cumpriu a sua função. Mas ainda haverá mais de ambas, por outros lados, por outros caminhos, com outras playlists. Se é que você me entende.
Mundo...
ªPara quem não sabe ou não se lembra, o título em inglês é de uma música do Rufus Wainwright, "Halleluja".

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Puti... nha nhaaaau!

Sabe aquela brincadeira do "puti... nhanhaaaau!" ??? Não? Claro que sabe, talvez não se lembre, mas é assim: você é um bebê, e vem a sua vó, tia, tia-avó, avó-tia ... de 2º, ou 3º grau, (enfim... você é um bebê, atrai qualquer pessoa desse tipo), e diz "PUTI" e tampa a cara, ou se esconde... você, sendo um bebê, se pergunta "caramba... cadê o rosto dela? Sumiu! Caralho!" ou "...", e de repente ela me aparece do nada soltando um imenso "NHANHAAAAAAAAAU!", obviamente, você, sendo um bebê, cai na risada! O que faz com que aquele tipo de pessoa repita várias e várias vezes até não surtir mais efeito algum. E é mais ou menos assim que acontece com o viciado em televisão, e o não viciado em televisão, sem as partes das risadas, claro.
Sabe-se lá que horas de um dia qualquer, chegou ao hostel um cliente assim, e um outro assado. Ele ligava a tv, assistia um bocado e ia embora. O outro lia um livro, também na sala, onde tem um grande puff laranja com almofadas que te acomodam de um jeito especial para tratar do assunto de leitura de livros. De início sempre ficava a pergunta no ar "O Assim vai voltar, certeza que ele foi só ali no banheiro, e já volta... óbvio... ele deixou a tv ligada, ele vai voltar!", e o Assim não voltava e o Assado ficava, digamos assim... assado!
Era mesmo uma coisa compulsória. Ligar, ver um pouco e seguir a vida... "deixe lá ligada para os outros vêem, como alguém pode estar em casa sem a tv estar ligada?" (provavelmente é o que se pensava Assim), já o Assado "puta que pariu caralho! Não vai ver então desliga essa porra cacete!", levantava-se e enfiava bruscamente o dedo no Turn OFF da arma de guerra. E eles viviam assim, ligando, saindo, levantando, desligando, voltando, ligando, etc etc... um com raiva, e o outro, nem pensando estava, ligava porque era o normal de se fazer.
Um dia após o outro durante 6 dias, até que em um dia de chuva Assado ficou molhado e seu livro bebeu litros de água de uma poça que jazia por ali onde também entrou o seu pé. Chegou irritado, e ligou a TV, atrapalhando a leitura de Assim, que tinha exclamado minutos antes "ai ai, chuvinha, nada melhor que ler um livro...", e foi aí que a energia acabou, e eles bateram um bom papo de livros adaptados ao cinema.
Deixo ainda a chance de você voltar e ler as primeiras linhas do texto, mas não deixo chance nenhuma de você me perguntar o que é que uma coisa tem haver com outra. Só os burros não entendem.

... Sabia que você ia entender!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Aqui as folhas caem...

O outono já bateu a porta, cuspiu no chão, coçou o saco e disse que quem manda nessa porra aqui é ele. Aqui as folhas caem, e dão o ar da graça de se amarelar o chão. E o céu, fica mais laranja no por do Sol... ou pode ser pura impressão minha, mas pra mim, essa estação tem aquela cor do fogo em uma lareira iluminando o interior de uma casa. E digo isso sem nunca ter tido ou visto uma lareira acesa!
A noite já deixa lá suas pancadinhas de 12 graus, e os mais velhos fazem suas previsões para o inverno deste ano. De toda forma, já tirei o casaco da gaveta (na verdade, ele nunca lá esteve, porque a Naiara sente frio a todo instante e meu casaco sempre está lá a acompanhar [acreditem se quiser, mas até para o Marrocos ela o carregou...], preparem os secadores de cabelo, as traseiras de geladeiras, e os aquecedores, porque não teremos outra forma de secar nossas roupas. O outono ... corrija-me se estiver errado, mas o nome dessa estação surgiu com alguém constipado tentando avisar outra pessoa que ele mesmo não estava?(seja lá onde for), e se você não entendeu a piadinha, tudo bem... ela é péssima. Mas o que eu quero dizer com ela é: gripe! E que ela esteja longe... mas nas ruas já ví uma ou outra pessoa tossindo e dizendo "ai ai" no modo português de se dizer. Ainda assim os jovens (ai, meus tempos...) continuam esticando as suas pernas após a meia noite e recolhendo-as ao descanso às 6 da manha... afinal de contas, estamos em uma cidade universitária! E esta semana começa a Festa das Latas, onde os "caloiros" vão desfilar igual carros de recém casados... "é a tradição!"... e para aqueles que são contra os trotes, aí vai um aviso: Não estude em Coimbra! Até hoje encontramos nas ruas filas de "bixos" andando a lá elefantinho, e tendo os seus talheres roubados nos refeitórios... tá bem, eles deixam as facas!
E eu volto assim... todo serelepe... cheio de pontos de exclamações, pontos, aspas e ... reticências... confortável em uma poltrona, com um jazz solto no ar e um teclado brasileiríssimo! (só um extra que eu repito de forma pública: e então marcão? é fácil usar computadores alheios de países não-brasil?)
E agora fiquem aí, com um pensamento no Porto, às margens do rio Douro:




Beijos e abraços!
Lucas

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Da arte de se hospedar na casa alheia

Para quem quer viajar barato pela Europa e não foi criado com vó, o site do Couch Surfing é uma idéia genial.Parece um orkut, mas completamente voltado para viajantes.A regra é simples,você hospeda alguém e quando precisar, essa pessoa te hospeda, em qualquer lugar do mundo.Se você gostar da hospedagem, coloca referências para a pessoa, o que aumenta a confiabilidade dela para os outros.
Por outro lado, você pode ter que dormir no chão, esperar 2 horas para usar o banheiro e fazer uma social o tempo inteiro.Acho que compensa, mas tem gente que não dá conta.Gente fresca, óbvio.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Lucas Revisited

Faz tempo que nao meto meus dedos em teclados para escrever em blog ou se quer para responder e-mails. Tudo isso tem uma explicaçao que em resumo se baseia no tempo! Passei os meses de maio e junho trabalhando mais de 12 horas por dia. Nos dias de folga eu dormia! Muito!
Sobre isso dedicarei mais tempo em outros posts. O que todos realmente querem saber é da doidera do mochilao!
Agora me encontro em Lisboa. Marcao e Euclides estao ali na sala do albergue dormindo no chao. Isso devido a quebradera da viagem Madrid - Lisboa.
Em Madrid, ao vermos o trem, observavamos atraves das janelas dos vagoes as deliciosas camas que nos aguardavam, inclusive com mini banheiros em cada cabine. Ja imaginavamos como seria uma viagem tranquila e gostosa. Seria basicamente dormir em uma cidade e acordar feliz, alegre e animados em outra cidade. Nao foi isso que aconteceu quando descobrimos que o vagao que nos estava reservado era somente de poltronas... levemente reclinaveis. "Ah... entao isso que eles chamam de reclinar aqui na Espanha? Esse país é uma brincadeirinha mesmo hein" reclamava Marcao.
O Euclides já falou no mesmo instante "Passando o fiscal vou vazar pra primeira cama desocupada que eu ver."
Fiscal passou, Marcao apagou e eu e Clidi saimos a procura de camas.
Haviam 3 vagoes, com 5 cabines cada e cada cabine com 4 camas. Encontramos somente 2 camas vazias. Ficamos naquele receio dos fiscais nos pegar, porque ja haviam feito isso alguns minutos antes quando tentamos dormir em umas poltronas mais espaçosas. Entao voltamos para nosso lugar de origem. Porém as duas horas da manha, sem conseguir dormir, com a coluna totalmente dobrada, o pescoço virado pro lado oposto do corpo, com a boxecha apoiada no ferro do braço da poltrona, os joelhos grudados no banco da frente, liguei o foda-se! Entrei em uma cabine com o meu saco de dormir, acordei um japa que lá estava e perguntei se havia alguem na cama. Ele respondeu que nao sabia, entao altomaticamente a cama passa a ser minha!
Dormi feito um bebê!
Acordei chegando em Lisboa, voltei pra cabine, encontrei com o pessoal com as caras destruidas, pegamos as mochilas e saltamos na estaçao Santo Apolo em Lisboa, que fica 10 minutos do albergue.
Agora é esperar pra ver o que nos guarda essa cidade lusitana. E comemorar por finalmente termos conseguido escapar dos arredores de Zaragoza. A cidade imantada que nos forçava a continuarmos na Espanha.

Noticias anteriores consultem meialuaesoco.blogspot.com e clidi.blogspot.com .

Festa de San Fermin - 1 pessoa morreu, 89 feridas e 5 gravemente feridas. E nós ainda estamos vivos!

Beijos, abraços e até mais ver!

Lucas

domingo, 6 de julho de 2008

Aveiro

Claro, eu sei.Ninguém em sã consciência vem visitar Portugal, tendo a Europa inteira para ver.Mas, há mais coisas entre o Tejo e o Douro do que sonham as vãs filosofias.
Aveiro é uma cidadezinha perto de Coimbra, (à 4,90 euros, para ser mais exata) que as pessoas nomearam de "A Veneza portuguesa".Eu não sei como é a Veneza original, então não posso dizer se isso é verdade.
Bem.Em Aveiro,após chegar numa estaçãozinha de trem bonitinha, você começa a ir em direção ao centro da cidade, onde pega uma bicicleta para andar o dia inteiro de graça.A cidade é toda adaptada à bicicletas, de maneira que é muito gostoso andar por ela.E andando, borboletando, você acaba por dar numa pracinha, no meio da cidade, onde passa um rio, cheio de gôndolas e turistas, uma coisa bem legal de se ver.O pessoal da cidade é muito receptivo, um lugar onde, incrivelmente, você consegue encontrar portugueses bem educados.Mas o idioma que mais se escuta é a língua de Cervantes.
Na tal praça, você pode deitar na sombra e apreciar a paisagem.Quando estive lá ela era constituída por atores vestidos de preto,encenando uma peça muda e bem esquisita, velhinhos, pessoas jogando capoeira, mais velhinhos e pessoas andando de skate na pista central.
A cidade é limpa,colorida, calma e movimentada ao mesmo tempo.A Europa começa a 50 km de Coimbra...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Calor

Bem.Já que o Lu está aloprando pela Europa,vou postar aqui umas notícias super legais sobre Portugal.
A mais importante é:tá um calor do inferno.Nunca passei um calor desse na vida.Em Sevilha(que não é em Portugal, mas é aqui do lado) está fazendo 53 graus.É pouco ou você quer mais?Não consigo andar mais do que um metro sem suar.

Maravilha!Eu quero mesmo que esquente!Praias portuguesas, aí vou eu.

(Esse blog ficou sem sentido.Mas é que o calor me impede de raciocinar)

sábado, 24 de maio de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ora, pois!

Bem.
Coimbra decididamente não tem nenhum monumento arquitetônico historicamente importante, não é(e nem deve ser) destino dos mochileiros de todas as galáxias, a língua falada é o velho e bem conhecido português(ainda que com um sotaque deveras irritante), você nunca encontra filtros públicos quando precisa, e a cidade, de 200 mil habitantes, é a terceira maior cidade de Portugal.Isso já diria tudo, se não fosse uma cidade profundamente...apaixonante.
Em primeiro lugar, logo que você chega, na estaçãozinha de Coimbra A, dá de cara com o Mondego.E o Mondego é o riozinho mais cuti cuti bonitinho, limpinho e charmoso do mundo conhecido.Que me desculpem os Romanos, mas o tal do Tibre, fedido, poluído, mal arrumado e sem graça, não tem nem comparação.
Ainda no caminho do Mondego, você passa por uma fileira de árvores que criam uma sombra tão gostosa, ali, com o coreto de flores, um barquinho ancorado no meio do rio, que parece um quadro daqueles que a gente coloca na sala de estar e viram quebra-cabeças.
Em direção as docas, você passa pelo Irish (barzinho, que diz a lenda, é frequentado pelo The Edge), e outros barzinhos, bem como pela sorveteria.Aos sábados e domingos tudo fica cheio(no conceito Coimbra de ser), o parquinho com as criancinhas, cachorros, pedalinhos, barcos à vela, pessoas bebendo vinho e fazendo pic nics, etc, etc.No cubo da leitura, você pode pegar um livro,uma cadeira e uma almofada, para ler na grama, desfrutando do silêncio que só Portugal sabe fazer.
Mas...Você pode ir estudar num dia qualquer e dar de cara com uma guerra de tomates.Ou com um cara fantasiado de Capitão Gancho.Ou participar de gincanas e ganhar máquinas fotográficas.Ou dar de cara com pessoas de bicicleta descendo as monumentais(tem que ser MUITO corajoso).
Sem falar na tradicionalíssima queima das fitas.É uma calourada altamente organizada, sendo que, no primeiro e melhor dia, dos cortejos, 83 carros alegóricos oferecem bebida(cerveja, vinho, batida, whisky, etc, etc) e comida(sanduíche, batata frita) de graça.Ou seja, todo mundo fica muito bêbado e acaba caindo no Mondego.Nos outros dias têm shows de gente do mundo inteiro, um deles o conterrâneo Gabriel O Pensador.
Roma, na minha opinião, é a imagem viva da decadência.De um povo que já foi muito foda, e até hoje fica se congratulando pelo que passou.Sim, eles tem o Coliseu.Mas também tem um sistema de transporte porco, uma cidade porca e feia e um povinho metido a besta, barulhento e ignorante.A imagem que os filmes passam dos italianos não sei da onde surgiu, mas de Roma é que não foi.
Não que os portugueses sejam muito legais.Mas sabem fazer, de uma cidade pobre(comparando com a média das cidades européias), sem grandes atrações turísticas(além da Faculdade de Direito, e olhe lá)um centro universitário poderoso, cosmopolita e uma cidade charmosíssima, limpa, original e divertida.Não, Coimbra não é, definitivamente, para passear.Mas viver aqui é muito bom.
PS: A capa do blog, a foto aí em cima, é do caminho do Mondego.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ahhh... Roma è bella, dai!

Me diga aí em que lugar do mundo você respira a história. Em que lugar do mundo você passeia pela casa de antigos imperadores, anda pelos fóruns e ainda encontra o sangue de Caesar? Em que lugar do mundo você deixa de ver que o Coliseu era um lugar em que morriam pessoas e consegue enxergar a grandeza imponente e a importância daquela construção.
Em que lugar do mundo você encontra uma das primeiras igrejas católicas e segundos depois diz “ah... agora tudo faz sentido!”. Segue o caminho dos Pellegrini e dá um alô ao Papa. Anda por alguns corredores e encontra um Pensador, passa ali, onde um mafioso qualquer confessou seus pecados, e depois pára e encontra Rafael, auto-pintado do lado de Michelangelo, que está logo abaixo de Leonardo, olha para cima e aprende... e APRENDE: muita coisa seria diferente se aquilo não existisse.
Roma te faz absorver história, te faz entender a arte.
Passeia pelas ruelas da Trastevere e descansa numa Ilha Tiberina, vê o templo de Hércules e perde a mão na Boca da Verdade.
E a noite, nada melhor que tomar um vinho ao som das águas da Fonte das Trevas, e discutir sobre o porquê da existência de templos pagãos embaixo de igrejas católicas. Andar até a Praça do Povo e entender a influencia egípcia-helenica em vice e em versa. Amanhecer sendo desenhado na Praça Navona e depois perceber uma pirâmide ao lado de um grande muro.
Tudo em Roma é mais velho que o Brasil. Na cidade de quase 2.500 anos, uma vez cede do governo de um dos maiores impérios do mundo, nada pode passar despercebido, nada simplesmente não teve importância. E toda essa raridade, todo esse museu aberto, se encontra em mãos de um povinho ridículo, estúpido, egoísta e xenófobo. Um povo com crise de identidade que nada condiz com a fama alegre dos italianos. Desorganizados, preguiçosos e porcos.
Roma seria perfeita se não fossem os romanos.

domingo, 13 de abril de 2008

Quintas feiras são sempre esquisitas

A gente às vezes faz umas coisas bem estúpidas.Levantar da cama na quinta foi uma delas.
Bom.Eu estava com dor de garganta e sono, mas tinha combinado de beber com as pessoas da casa e jogar mímica.O Vini já tinha ido encher o saco para que eu e a Lo fossemos no Xots com ele, mas pra mim isso estava fora de cogitação.
Comecei a divagar na cama antes de dormir e escutei o pessoal cantando uma música na sala, intitulada "Ode a Naiara" e que envolve trechos como "Não use saia nas Monumentais", "sabemos que vc não é rebelde" e etc, mas também é assunto pra outro post.Aí resolvi dar o ar da minha graça e tomar banho.Na sala estavam Lo, Loreninha, Rodrigo, Lucas, Vini, Bia, um Absolut, uma Vodca e um Licor.Tomei um copinho de Absolut(que seria , teoricamente,o único da noite) e fui tomar banho.

Passada meia hora eu estava na porta de casa conversando com uma polaca que nunca tinha visto na vida e em inglês.A última coisa que me lembro consciente é de falar pra Lorena que nunca tinha bebido tanto e que estava perdendo muitos neurônios por minuto.

Pelo menos não cheguei no mesmo nível do meu amigo Velha Gorda, que vomitou 3 vezes (sendo uma delas na cama), pegou a Polaca(que descobrimos depois ser corcunda, e por isso é agora denominada Polaca de Notre Dame) e ainda levou um tombo na frente do bar.

Lama.

Não sei o que colocam na água de Coimbra,mas com certeza é ilegal.

Festa estranha com gente esquisita

Bom.Terça feira, a cidade lotada, e dia do centenário de uma república aqui em Coimbra, por sinal a maior e mais famosa.Aqui as repúblicas tem um esquema bem diferente do Brasil, existem as oficiais, bancadas pelo governo, que se auto-organizam, promovem eventos e etc.Essa, a Praquistão, é uma mais alternativa, socialista-anarquista, ou algo do tipo.

Então.Fomos todos no centenário.Eu imaginei que seria legal, porque sempre que o Lulu2 chama a gente pra ir em algum lugar é muito legal.Eu tava meio desanimada, porque sempre que vc sai com muita gente demoooora pra chegar no destino final, mas enfim, faz parte.

Passamos no xots bar, e depois rumamos para a República.Era uma hora, mais ou menos.Chegando lá entramos numa portinha que dava prum prédio enorme.Aliás, aqui em Portugal é cheio de portinhas que dão em lugares bizarros e enormes, mas esse é assunto para outro post.

Lá dentro estava lotado de pessoas bizarras.Eu gosto de pesoas bizarras.Veja o Lucas(brincadeira amor).Fomos nos esgueirando e chegamos numa sala onde estava tocando umas músicas muito legais, entramos no meio da galera, cantamos Bella Ciao, Clandestino, todo mundo junto, a sala inteira numa roda, num clima "fazendo amizades sem fronteira".

Lá a bebida é de graça e a comida também.Eu e a Lo bebemos uma sangria desatada, comemos uma comida X com feijão na saída e bebemos mais sangria desatada.No meio da festa encontramos o belga(aquele da guerra de tomates), mais maluco do que nunca, conversamos um pouco com ele, rodamos pela casa, voltamos pra música e paramos lá.No meio disso tudo encontramos o Lulu2 conversando com uns brasileiros, conhecemos eles, sentamos no sofá e depois voltamos pra música.Nessa hora a música começou a ficar chata, com o tal do Reggaetom.Horrível.Resolvemos ir embora.

Estávamos indo embora quando encontramos um espanhol (ou não) que começou a conversar com a gente, conversamos um pouco, encontramos o belga maluco de novo e tocamos o bonde.

Foi isso, mais ou menos.Faz tempo, eu bebi um pouco então não lembro direito.Mas deixa eu contar da de quinta feira.

terça-feira, 1 de abril de 2008

De Portugal e os brigadeiros

Dois dias antes de ir à Coimbra, saI (acento no i) em Roma com Lothar, Victor e Camille. Conversa vai, conversa vem, começamos a falar de doces. Camille è da Belgica, Lothar holandes, e quando o assunto entrou no ar ambos exclamaram num desespero como que para nao deixar seu pensamento escapar enquanto espera alguem terminar de falar: "Victor! AQUELE, AQUELE DOCE, QUE VOCE FEZ UM DIA... COMO? COMO CHAMA?". Victor orgulhoso de seus dotes culinarios respondeu "han... bri-ga-dei-ro". "Oh...brigadeiro" - salivavam - "...è a melhor coisa do mundo!"bla bla bla. Victor vira e me diz "os gringos ficam doidos com brigadeiro!"
Analizemos minha situaçao: sem documento, visto de turista, desempregado. Resultado "PORRA, VOU VENDER ESSA MERDA DESGRAçA!" (os xingamentos foram para enfatizar meu estado 'eureka'... a luz no fim do tunel. Maiores informaçoes sobre xingamentos Meialuaesoco, link ao lado).
No outro dia fizemos um jantar em casa, foram varios gringos e de sobremesa Victor fez brigadeiro, que evaporou antes mesmo de eu terminar de jantar.
Fui para Portugal com aquela ideia na cabeça. Ja me imaginando o Willy Wonka dos brigadeiros na europa.
Là falei da minha ideia para todos na republica. No outro dia estavamos na porta de bares e restaurantes, e passarelas turisticas, tocando violao e vendendo brigadeiro. No video abaixo podem ver nossa saga.
Bom... em portugal nao rendeu muito. La as pessoas conhecem brigadeiro, è tao popular quanto no Brasil. Alias, o Brasil è popular em Portugal. Aquela orelha de peninsula iberica nada mais è que uma colonia brasileira... e convenhamos, desde 1500 e bolinha aquele povo depende da gente.
Nas bancas podemos ver a Iris (sabe? bbb e tal) em capas de revistass. Oraçoes do padre Marcelo Rossi, e nos jornais, o que vai acontecer nos proximos capitulos das novelas da Globo. Se nao me engano (Na, corrija-me se estiver errado) a Globo e a Record sao canais abertos.
Enfim... nao deu pra fazer muita grana. Levantamos pouco mais de 15€, e vendemos uns 10 ou 11 brigadeiros gigantes, cada um a 1€. As pessoas davam mais dinheiro pela farra que estàvamos fazendo com musica, cantando e dançando do que pelo chocolate. Foi divertido do inicio ao fim.

(a ultima pessoa que aparece no video è o Joao. Ele è baiano)




Lucas

domingo, 30 de março de 2008

Coisas aleatórias

Eu acho que devo ter cara de maluca mesmo.Ontem fui andar perto do Mondego e uma mulher me para : "Pois,sabe onde é o hospital psiquiátrico?"
Pois.Não sei.Raios.
Depois tava saindo das cantinas amarelas e parou uma senhora que conversou meia hora comigo e com a Lo sobre a vida dela, que segundo ela é muito "gira".Meu Deus.

Momento Lucas(de Coimbra) do dia:
O meu amigo era feio, mas tão feio que quando ele nasceu a mãe dele dava de mamar de olhos fechados.Depois ela aceitou ele.Mas só como amigo.

O Lucas faz a alegria do nosso almoço.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Quizas, quizas

Nossa,finalmente tenho algo a dizer.
E é:

Não entrem por Madrid!

sábado, 22 de março de 2008

The Lucas´s show

Olha o que as pessoas fazem na Europa...

Se bem que...toda mulher precisa de um Lucas!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Da surpresa

Pessoas que acompanham a novela Crônicas de Nailu: desculpem pela ausência de posts, esperamos reverter essa situação porém sabemos que isso é uma auto-enganação.
Relato aqui algumas coisas que aconteceram desde o início do mês de março.

Estava cansado de procurar e procurar empregos e não encontrar. Fiz vários currículums, levei em vários lugares, comprei jornais de emprego, liguei em vários deles e resumindo o que eu escutava era:
“Tem documento?Não? Então sinto muito!”
“Já encontramos, obrigado!”
“Brasileiro? Tu tu tu tu tu”
Teve até um figlio da putana que recusou a receber o meu curriculum quando eu falei que poderia trabalhar em qualquer cargo “Quem fala que faz qualquer coisa é porque não sabe fazer nada!”. Resultado, fui negado em 56 lugares, incluindo até mesmo Agencias de Modelo. Não sei por que não me quiseram...

Enfim, tava um pé no saco. Uma zica. Então comecei olhar passagens para Coimbra. Já que não ia conseguir um emprego, iria viajar! A passagem mais barata que encontrei foi uma que saía de Milão. Esperei passar o final de semana para arrematá-la, contando com o milagre de uma ligação de um cara dono de um restaurante que tinha falado que iria me ligar. Não ligou, então comprei Milão – Porto. Agora tinha que arranjar um jeito de ir pra terra da moda.
Fui até a estação de trem e perguntei: “Qual o jeito mais econômico de ir para Milão?” (A palavra ‘barato’ não existe em italiano), eles me indicaram um trem que saia as 11 da noite e chegava as 7 da manha, só que o meu vôo saia as 6:30 da matina. Bom, iria um dia antes e andaria o dia inteiro pela cidade. Fui!

Peguei o trem dia 5 às 23hs. Na cabine, 5 italianos e eu. Foram 8 horas de viagem e 5 palavras trocadas entre os companheiros de vagão.
Chegando em Milão a paisagem já se apresentava diferente. É muito mais europa. Roma é um negócio estranho. E Milão é linda. Tentei encontrar um mapa turístico só que tinha que comprar, 3 euros, então não comprei. Escolhi um rumo e sai andando. Em Roma isso sempre dá certo, uma hora acha alguma coisa legal. Só que em Milão demorou mais. Andei durante 1 hora e depois sentei em uma praça, li um jornal (aqui eles dão de graça) e observei 2 cachorros brincando enquanto as donas dos mesmos paparicavam.
No jornal li que 1 dia antes na estação Central (onde eu cheguei) estavam gravando 1 cena do filme “The Other Man”, com atores famosos e tal.
Quando cansei de ficar sentado voltei a andar. Andei por mais uns 25 ou 30 minutos e quando eu ia atravessar uma rua, olhei para a direita e lá no fundo vi um pedaço de um arco do triunfo. Pronto! Achou um ponto turístico, acha um monte! E não deu outra. De lá eu já avistava outras coisas legais.
Passei por um parque muito bonito! Passei por um castelo, cumprimentei a estátua do Garibaldi, segui por uma rua e no final dela dividia-se em outras 2 ruas. No fundo delas eu via coisas legais, só que a catedral era mais legal, então fui para o outro caminho, deixando ela por último.
Nesse outro caminho, o que tinha era tipo uma cúpula de vidro em cima de uma calçada massa e quando fui me aproximando vi uma aglomeração de gente e no centro, câmeras e o Toninho...o Antonio...aquele das Bandeiras e a equipe de filmagem! Tão legal! É a segunda gravação de filme que eu vejo. (Ta certo que nenhuma delas tem coisas explodindo, tiroteio e carros voando. Mas é legal mesmo assim.)
Depois disso fui na Catedral, comi no McDonalds, andei mais um pouco e decidi ir para o aeroporto. Era um pouco cedo de mais para vir pra cá. Mas eu tava cansado e aqui eu (pensava) que poderia dormir.
Perguntei então para um homem para que lado era a estação central, ele me mandou pegar um ônibus e depois o metro, falei que queria ir andando e ele falou que era muito longe. Insisti e ele me deu um rumo. Mais para frente perguntei novamente a um outro homem, e ele falou para eu pegar ônibus e metro porque dali até a estação era mais de 10km.
Segui o seu conselho mas desci do ônibus cedo de mais, então perguntei para outro onde ficava e ele falou a mesma coisa e aumentou uns 8 km da última informação. Credo uai... peguei o ônibus de novo, metro, desci na estação, peguei outro ônibus de 8 euros (facada) e cheguei no aeroporto. Tentei dormir nas cadeiras mas o guardinha impediu. “Mais tarde pode!” falou ele... mais tarde eu tentei dormir e ele me acordou de novo e mandou eu ir para outra área do aeroporto.
Enquanto tentava dormir percebia vários mochileiros chegando, arrumando suas camas, escovando os dentes, fazendo lanches, etc. Um ucraniano perto de mim puxou conversa pra passar o tempo, conversamos até ele ir embora (estava esperando os pais chegarem). Depois eu apaguei nos banquinhos (só que agora eu comprei um cochonetizinho miniatura de 2 euros e durmo igual um bebe, nos aeroportos). Peguei o avião e ninguém sentou do meu lado. Apaguei! Acordei com o emocionante pouso estilo Ryanair. Atravessei Porto e peguei um comboio (trem) pra Coimbra.
Chegando lá andei até na casa da patroa. Bati, toquei a campainha, e ninguém. Fui até a Universidade, subi as Monumentais (CARALHO... ela não estava exagerando quando chamava as escadas de Monumentais!), e não encontrei... então liguei pra ela.
“Nah... acho que não vai dar pra ir aí esse mês, tem como entrar na net pra gente conversar?”
“Tem sim amore, vou lá na net da medicina!”
Corri pra Faculdade de Medicina, achei o laboratório de informática, entrei pé por pé e sentei numa cadeira atrás da minha linda namorada (ai ai... suspiros).
Ainda tentei fingir que eu era uma imagem holográfica ou um fantasma, mas não deu muito certo.
O resto é festa.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Voip, JustVoip!

Quem quer falar barato na Europa, instale!
Ligações internacionais gratuitas para residências e para celular por 10 cêntimos!!
Que tal ligarem para seus amigos super queridos?

PS: Devido à comentários do post anterior eu não vou falar mais de como a minha faculdade é super legal,espetacular e ótima.Não, ela nem é tão legal,nossa, no Brasil é bem melhor.

E tenho dito.

Naiara

sexta-feira, 7 de março de 2008

Uma observaçãozinha

É bem bizarro estar num lugar onde todo dia dou de cara com turistas com enormes máquinas fotográficas, excursões escolares e grupos de europeus idosos que falam línguas estranhas te olhando quando você passa com livros como se isso fosse algo surreal, como se estivesem captando o momento exato da cópula da formiga.Eu estou me sentindo num grande zoológico, onde todos nós, estudantezinhos de Direito de Coimbra e nossos mestres somos a atração principal.Ainda mais agora que provavelmente a Faculdade de Direito irá se tornar patrimônio da humanidade.

Mas que é legal demais estudar aqui, isso é.

terça-feira, 4 de março de 2008

Então.O problema era o seguinte:as cebolas estava descascadas e se desfaziam no ar, nem chegavam a alcançar a galera dos tomates(até o momento em que um de nós, cebolas, se irritou e jogou uma cebola inteira).Além disso, era uma batalha que ia passar numa propaganda de catchup(não sei qual)e os tomates tinham que ganhar.Os tomates deveriam apertar a sua munição,de maneira a ficar mais macia, mas é lógico que a maioria mandou os tomates inteiros e doía pra caramba.A parte mais legal foi quando eu e o Bocão fomos escolhidos pra ser da parte de contra ataque surpresa e ficamos atrás dos tomates, sem que eles pudessem revidar.Eu já estava com tanta raiva de ter levado tomatada que joguei cebolas com todas as minhas forças na galera.É lógico que estou até hoje cheirando cebola, mas valeu a pena.Nem ia me sujar muito, se o Rodrigo não tivesse a ótima idéia de iniciar uma guerra civil brasileira com tomates.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tomates vermelhos crús

Bem.Ontem acordei às 10 de manhã, com a firme resolução de estudar, acompanhada pelo Lulu2 e pela Lorena.Obviamente enrolamos um monte e só saímos de casa na hora do bacalhau, ou dos restos de bacalhau.Fomos então pra cantina, crentes que depois iríamos descer pro Mondego e ler um dos 1303939 de livros que temos que ler.Eis que, no meio do caminho tinha um belga, tinha um belga no meio do caminho, que tínhamos conhecido na casa da Lidy, uma francesa que fez um almoço pra gente no sábado.Como o inglês dele é péssimo e o meu também, entendi algo como "tomatoes, war" e ele disse que iria "supermercado, comprar, tomatoes" por causa da "war, na praça comércio".Obviamente eu e a Lorena chegamos à conclusão de que ele tinha fumado uma maryuana a mais, mas fomos andando, já que a praça do comércio é caminho para chegar no Mondego.Estávamos serelepes andando, quando vimos uma escadaria lotada de tomates e cebolas e uma barricada de tomates de um lado da praça e outra de cebolas do outro lado.Obviamente decidimos que iríamos esperar pra ver no que dava, como é que se vai estudar sabendo que tem uma guerra de tomates próximo da onde vc está?Impossível.
Mandamos mensagens pra Deus e o mundo, mas quem entrou na batalha mesmo foram Eu, Lorena, Rodrigo e o Bocão.Entramos de alegres no lado dos tomates, mas logo fomos despachados pro lado das cebolas com um comentário ao fundo"ih, os brasileiros se fuderam".Descobrimos de uma maneira dolorosa o porque.

Vou almoçar.Cenas dos próximos capítulos amanhã.

Das roupas e dos preços

Recentemente fui em uma das boates mais disputadas para entrar aqui em Roma. Claro que eu entrei... de graça... na parte VIP! hehehe. Um dos caras que trabalha lá, mora aqui na mesma casa que eu moro, então foi tranqüilo. O único problema era que eu não tinha terno e sapato. Para entrar lá só é permitido traje social. Peguei então emprestado um Armani do Robson (brasileiro) e um sapato do Per (sueco).
A boate foi legal e tal...

Dois dias depois, no Domingo, (ontem), o Robson acorda e fala "Rapaz, arruma aí e vamos sair pra comprar uns ternos pra você." Claro que eu respondi que eu não tinha grana. Porra, um terno é caríssimo! Ele falou para eu separar 10 euros.

Pegamos um ônibus, descemos no Circulo Maximo, pegamos outro ônibus e descemos num lugar que tinha a população de Roma reunida!
Bancas e mais bancas de roupas por 5 euros, 2 euros, 1 euro, até 50 centavos tinha. É o feirão Porta Portense.
As roupas ficam todas jogadas em cima de bancas de madeira, as pessoas acumulam em volta e ficam cavoucando ali, é uma tremenda zuera. Enquanto isso os Blanga (pessoas de bangladesh) ficam gritando "UNEEEEURO, UNEEEURO" (um euro).

Eu e o Robson procuramos em várias bancas e sempre achávamos um terno legal, mas a maioria era muito grande ou muito curto, mas eu encontrei 2 que encaixava certinho! "Cara, pra ter esse preço deve ser roupa de defunto! Mas e daí? Lavou tá novo!" E como diz o meu amigo Diego, essa é uma frase para a vida!

Comprei 1 terno, 1 smoking e 1 camisa e gastei 6 euros.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Da terra e o que há embaixo

Digamos que as empresas de metrô não gostam muito de Roma. Porque? Porque é quase impossível construir mais linhas.
Aqui em Roma existem 2 linhas de metrô, e provavelmente demoraram muito tempo para terminarem. Só agora estão construindo a terceira linha, e provavelmente vão terminar daqui muitos anos. Porque? Porque sempre encontram partes da antiga cidade romana quando se escava.
A contruçao entao é dividida em tres etapas:
- quando começam a escavar, e imediatamente param.
- quando veem os historiadores, abrem tudo, registram, desenham, etc
- quando terminam de construir a estação. Claro, desviando do que encontraram.
Acho que deve ser até chato. O cara na escavadeira, enfia a pá e "anem... outra igreja de 1 milhão de anos atrás."
A cidade está constantemente em escavação, mas a maioria é coberto novamente para construção de outras coisas como prédios (no máximo 4 andares), ruas e etc. Precisa evoluir né?
As únicas coisas que eles deixam descoberto e cercam o local é o forúm romano, um ou outro templo, e metade de um dos lugares que ficavam os gladiadores (se fosse escavar a outra metade teriam que destruir muitas coisas...), e claro, estão todos em pedaços.
Existe uma igreja aqui, perto do Coliseu, que tem uma outra igreja embaixo, e embaixo dessa outra igreja, tem outra! Brincadeira né não?
Meu professor, o Papai Noel, me contou que um amigo dele foi arrumar o encanamento que saia da casa e ia pra rua, chamou uma escavadeira e entao descobriu o embasamento de uma basílica. Chegaram os historiadores, fecharam o local, e pronto, o cara nao tinha mais como sair de casa com o carro. Seu vizinho teve que doar uma parte de seu quintal para o infeliz.
Tempos depois os historiadores enterraram tudo de novo. E tudo certo.

E se você quiser dar uma de Indiana Jones, sim, é possível. Antigamente, antes da cidade ser invadida, eles enterravam as coisas mais valiosas, como as estátuas de bronze (que na época valia mais que ouro). Depois as pessoas que sabiam onde estavam enterradas morriam. Uma das únicas que não pode ser enterrada era a Colossal estátua de Nero em bronze (ou ouro,sei lá)de 38 metros, que ficava do lado do Anfiteatro Flávio, o Coliseu (já manjou porque o nome passou a ser Coliseu né?), bom... ela não está mais lá! Não enterrou, dançou! ... Enterrou também dançou, então deu tudo na mesma.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Da casa e etc

Bom... mudei de casa!
Agora nao moro mais viccino ao Pantheon, agora moro longe de qualquer parte turistica. Habito com um holandes, 2 suecos, 1 noruegues, 1 russo e outros 2 brasileiros.
A vida agora é outra. Agora eu tenho o que fazer depois que eu chego em casa, como por exemplo: cozinhar!
Nunca tinha cozinhado na vida, e agora, já até estou fazendo uma pasta gostosinha! Com direito a molho vermelho e branco. Mas vou aperfeiçoa-la mais. Quando nao é isso, estou conversando com alguem, assistindo um filme (porque aqui tem TV e DVD), arrumando a cozinha (que vive imunda), aprendendo russo (Priviet! kagk dilá? Harashov! etc etc.), ou ensinando o holandes a falar portugues. Ele morre de vontade de aprender portugues, e antes aqui na casa tinha 6 brasileiros, o cara já até entende um pouco, só nao sabe falar. Aprendi também algumas palavras em noruegues só escutando os escandinavos, e eles para retrucar falaram "também sabemos algumas frases em portugues como 'nóóó véi', 'caralho véééi...' e 'vai tomá nucú'". A casa aqui é 24 horas. Sempre tem alguém entrando, ou alguem saindo, ou alguem acordado.
Recentemente fiquei conversando com o Robson até o dia raiar, e vimos um dos suecos acordando duas vezes (pensamos que ele estava sonambulo) colocando as roupas na maquina de lavar, e voltava pra cama, sempre com aquela cara de 'mamãe quero biscoito'.
Em uma das paredes tem foto de todas as pessoas que ja passaram pela casa... bom, nem todas porque essa parede fica perto da lareira, e me disseram que um dia um dos que moravam aqui chegou bebado, a lareira estava acesa e bem... sobrou o que sobrou.
Aqui também tem internet de graça. Na verdade tinha que pagar 5 euros pra dona, ela te dava uma senha e voce usava. Mas morou aqui também uns 2 caras euclidianos e acabou com isso. Agora a net é free.
Pra usar a máquina de lavar também tem que pagar, 3 euros, só que "ninguem usa a máquina".
O melhor de tudo é a confusão linguística. Aqui dentro são 2 as línguas oficiais: inglês e italiano. Mas com os brasileiros eu uso Portugues. As vezes eu enrolo tudo. Começo a falar portugues com o russo ou em ingles com brasileiro, na maioria das vezes sai uma só frase com os 3 idiomas.
Quanto meu italiano, vai muito bem, obrigado! É uma lingua de fácil compreensão para nós de lingua latina, o que é um pouco ruim para falar, já que isso faz com que crie uma confusão de palavras e você acaba inventando um dialeto novo. Do tipo Portupanholiano. Recentemente perguntei uma coisa ao meu professor, e ele respondeu "essa última palavra que você usou é realmente uma bela palavra, uma pena que não tem no nosso vocabulário".
Por falar no meu professor, ele é um cara muito engraçado e zuão, e parece muito o Papai Noel. Não... ele é o Papai Noel! Então eu tive que chamá-lo por esse nome, e ele contou que uma vez ele estava na praia, chegaram 2 criancinhas e ficaram olhando pra ele, e depois falaram "você é o Papai Noel!" e ele "shhh... não conta pra ninguém, eu estou de férias...".
Bom... estou com um pouco de sono, e sem um propósito conclusionísta de onde chegar com tudo isso então vai aí uma foto:

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Mas que coisa, também quero entrar no Vaticano

(Lu do céu, como você é cagado)

Se fosse pra fazer um vídeo UE X Portugal, seria um mendigo bem arrumado e limpo(mas meio burro) pedindo dinheiro pra UE.Ô pezinho no terceiro mundo!

Bem, eu nao tenho muita coisa pra contar, quase todo mundo que eu conheço aqui é brasileiro.Conheci a primeira portuguesa esse final de semana, e tem a Garazi que é basca, mas tenho pouco contato com elas.

Bom, aqui, para tristeza de namorados e namoradas que ficam no Brasil(não amor, não vale pra vc, vc tá em Roma)vigora por o Tratado do Atlântico.É assim: o que acontece em Coimbra fica em Coimbra e não vale pro Brasil.Galera que tem namorado(a) na Europa, se conforme, a chance de vc estar levando um chifre é muito grande.

Já fui em duas festas brasileiras aqui, e a sequência musical é sempre a mesma: pagode, forró, funck e rockzinho legião-cazuza.Já percebi que Red Hot faz bastante sucesso aqui tb, toca sempre.


Não tenho nada de legal pra contar,infelizmente sai de Uberlândia, atravessei o corgão e ainda estou sem assunto.Começo a desconfiar que seja um problema meu.

Ah. O Lulu 2, de Uberlândia, que namorava a Fabiana tá morando na mesma república que eu.Mundão pequeno sô!

Uma vez penetra, sempre penetra

Eu já invadi muitas e muitas festas, sempre foi muito fácil. Estava afim de algo maior... mais arriscado. Foi assim que eu conheci a Cidade do Vaticano...

Ta bom vai, não entrei de penetra... mas caminhei lá dentro! No poderosíssimo território católico! Não está acreditando né? Tudo bem... nem eu acreditei. Mas aconteceu, e foi assim:

Terça-feira a escola promoveu uma excursão... um passeio guiado aqui em uma área de Roma. Não tinha que pagar mesmo, então eu fui. Nessa passegiata eu conheci um alemão, Wolfgang, da Baviera (Bavária), Munique. O cara é todo formal, daqueles que levanta pra te cumprimentar, que ao se despedir deseja que seu caminho sempre seja iluminado pela luz, usa sempre camisa e por cima aquelas blusas de lã, calças e sapatos. Ele chegou na escola não tem muito tempo, eu sempre via ele sozinho no refeitório, e ao conhece-lo aproveitei pra apresentar um monte de pessoas e enturmar ele com o povo.
Ele conversou com todos, e ficou amigo de todo mundo. O cara realmente é gente boa.
Depois do passeio, todos se reuniram pra saber onde iria comer e ele indicou uma pizzaria muito boa, e que ele tinha desconto lá, então podia pagar mais barato. Fomos todos, e lá descobrimos que o cara ainda falava, além de alemão, italiano e inglês, também latim e grego clássico. Que tipo de alemão fala latim e grego clássico? Além de estudar medicina e ter só 20 anos.
Enfim, nos dias seguintes ele se enturmou ainda mais com a gente. E na quinta-feira, após terminar minha aula, subi até no laboratório de informática e fiquei procurando o endereço do Albergue da Juventude aqui em Roma, pra Juliana Demori (inclusive, obrigadão Jú por ter trazido meu notebook!) que ia chegar na sexta. Wolfgang aparece e pergunta:
“Lucas, você ta indo pra casa agora?”
“Não, acho que eu vou lá no albergue que to arrumando pra minha amiga que vai chegar, é lá na Ottaviano.”
“Hm... então vamos comigo lá no correio que eu vou lá com você. O correio do Vaticano é perto de lá.”
Então fomos.
No ônibus, abri o mapa e mostrei pra ele onde era mais ou menos o endereço do albergue e perguntei:
“Onde é o correio?”
Ele me apontou a Cidade do Vaticano.
“Não... onde exatamente?”
Ele me apontou a Cidade do Vaticano. Pensei “devo tá falando alguma coisa errada”, afinal de contas, meu italiano ainda não é lá aquela beleza. Então mandei um inglês.
“Sei que é aqui perto, mas em qual rua?”
“Aqui... –olhei pra ele sem entender- aqui dentro! O correio do Vaticano é aqui dentro!”
Fiquei parado um pouco pensando em que diabos ele estava falando. E perguntei meio espantado:
“Co-como? Não tem jeito de entrar lá dentro...”
Ele falou:
“Eu te falei que eu morava lá.”
Aqui, todos costumam perguntar uns aos outros onde é que moram, e pra ser mais fácil dos outros entenderem sempre usamos os pontos turísticos mais próximos. Por exemplo, me perguntavam onde eu morava e eu falava Pantheon, outro falava Pirâmide, outro fala Tèrmini, e assim vai. Ele tinha me dito “Vaticano”...
“Ta cara, e eu te falei que eu morava no Pantheon, mas eu não moro DENTRO do Pantheon... como? Você ta é brincando comigo... não tem como ... não tem... não... não tem...”
“Claro que tem...”
Eu ria de bobo, sabia que ele estava me zuando, mas ao mesmo tempo, ele estava sério demais pra ser uma brincadeira, e eu não consigo imaginar um cara daqueles contando uma piada.
“hahahahaha... ta bom então... hahahahaha para cara, fala sério...”
Então ele abriu a pasta de couro dele, e retirou uma credencial que permitia a entrada dele na Cidade do Vaticano e me mostrou (inclusive Clidi, é altamente plagiável).
“COMO? PUTA QUE PARIU (eu ia falar Putz! Mas isso aqui significa “fedor”) como? Não... não tem jeito... não... como? Como? Eu também quero! Quero um desses! Como, me fala, como você conseguiu...”
Ele, falou humildemente:
“Porque eu conheço o Papa e...”
Aí eu interrompi. Nem queria saber quem vinha depois do “e...”, conhecer o Papa? Não... aí já é demais!
“Para... hahahahahahaa agora você ta me zuando... hahahahahaha... cara... impossível hahahahahaahahaha... impossível, não tem como...”
Eu continuei repetindo isso durante um tempo igual um louco que invoca com uma coisa e fixa o olhar em um ponto, fica repetindo uma frase e balançando o corpo pra frente e para trás.
Ele, penso eu, ficou ofendido, virou pra janela e começou a olhar a paisagem. Eu insisti em saber, COMO:
“Não, me explica isso direito... como? Como você mora no Vaticano, como você conhece o Papa?”
“Durante toda a minha vida, antes de eu entrar na universidade, sempre estudei num colégio interno católico para meninos, em Munique. Lá, durante muitos anos, tive aula com o irmão do Papa. E fiquei conhecendo ele.” Antes mesmo dele se tornar Papa.
“Não... não tem como... to separado do Papa por uma pessoa? Não? Não tem jeito... Ta... eu também conheço o Papa, mas ele te conhece?”
Ele fez uma expressão de assustado e soltou um “Claro!”. Insisti na pergunta, e ele insistiu na resposta.
“... vou te levar lá agora. Depois vou com você lá no albergue.”
“Cara, se a gente entrar no Vaticano, foda-se o albergue.”
“Bom, se der algum problema e não der pra você entrar, vai ser uma pena... mas vou falar que você é um parente meu... hm... como fala primo em italiano? Você vai ser meu primo por alguns instantes.”
Até assustei dele falando isso, então quer dizer que ele, todo certinho, iria mandar a ver numa mentirinha... bom, pra mim tava tudo OK!
Chegando no Vaticano, fomos para o muro de entrada. Lá estava alguns guardinhas com suas roupas carnavalescas. Dois brincando de “quem mexer primeiro perde” e segurando grandes lanças, um batia continência para todo carro que entrava, e um deles ficava na parte para pedestres. Ali na frente, claro, vários turistas tirando fotos da única parte que podiam ver do interior dos muros. (hahaha reles mortais)
O alemão chegou e mandou ver numa tática de penetrar, aquela em que se exclama uma coisa estranha, faz uma pergunta que a pessoa não vai saber responder e logo em seguida já afirma e entra. Todo segurança fica perdidinho com isso.
“Boa noite (falou o nome do segurança) esse aqui é meu primo brasileiro Lucas o correio deve estar aberto ainda né estou indo lá ciao ti vediamo.”
Passamos!
Eu não tava acreditando muito... pronto! Eu estava dentro do Vaticano. Até poucos dias atrás o lugar mais importante que eu já tinha entrado era a Prefeitura de Uberlândia. Caminhamos até o correio e o Wolfgang cumprimentava todas pessoas que passavam. Alguns guardinhas o gritavam de longe pelo nome e o saldavam. Depois do correio, que estava fechado, ele falou “agora vamos dar uma voltinha rápida por aqui”. Claro!
Andamos tudo e saímos. Fim!
(Hehehehehe, não marcão, não é o fim, vou descrever ta? Hehehehe se fosse o Fim de verdade você teria um infarto né?)
Bom... o Vaticano... você já jogou Zelda? (vou considerar que sim) Então, aquelas cidades antigas, com pessoas vestindo roupas antigas, tudo de pedra, com passagens medievais e etc, e guardas imóveis, então... esse é o Vaticano.
Passamos primeiramente enfrente da parte capitalista do lugar, com direito a supermercado e loja de roupa. Entramos em uma via com uma praça, que não tinha arvore nenhuma, só uma fonte no meio, e em volta, grandes muros de pedra com janelas.
Wolfgang ia me explicando o que era cada uma delas “aquela ali em reforma ó, é a capela sistina. Não vai dar pra entrar agora porque já está fechada, se não te levava lá.”. Seguimos por um corredor rampado, onde parecia a entrada de um castelo, com muros de pedra e à esquerda grandes arcos, que dava pra ver a praça, no fundo, mais guardinhas, com lanças e tochas nas paredes. Fizemos a curva e saímos num vão atrás da Basílica de San Pietro. Eu estava estupefado, rindo atoa, tentando guardar com os olhos cada canto que passávamos. Não, não estava com minha máquina fotográfica, mais um motivo para ninguém acreditar que fui lá.
Ali, bem atrás da Basílica, tem alguns pinheiros, e um salão. “Ali é onde eles fazem a escolha do novo Papa. E ali a direita sobe para os jardins, mas agora ta escuro não vai dar pra ver nada.”
Tudo o que vi foi uma vila antiga. Vi uns dois carrões fodas! um cara de terno encostado em um deles, falava no celular em uma sabeseláquelingua, mas em geral muitos carros simples. Tem um local lá que tem semáforo para os carros. Achei engraçado.
Me mostrou o prédio do Secretário Geral do Vaticano e as janelinhas do quarto do Papa, que inclusive dá pra ver de fora do Vaticano, e a maioria das pessoas não sabe que é lá.
Depois disso passamos por mais umas duas praças, similar à primeira, caminhamos por um grande vão, e saímos.
Foi interessante ver e andar do lado de dentro dos muros. Pena que foi tudo muito rápido. Ele estava com um pouco de medo de perguntarem quem era eu. Andamos durante uns 20 ou 25 minutos.
Depois nos encontramos com alguns da guarda suíça, que são os que vigiam o Vaticano, Wolfgang me apresentou e conheci algum deles. (putz, tenho que me aproximar desse povo até à páscoa hehehe)
Depois de tudo, corri pra ligar pra Naiara. Ela achou massa de mais etc e tal, me perguntava e exclamava de tão abismada.
A conversa com meus pais foi um pouco diferente:
“Mãe, Pai! Entrei no VATICANO! Andei tudo lá dentro! Conheci um cara que conhece o Papa!”
“Hm, que legal! Mas você tá comendo direitinho né? Não vai ficar comendo só besteira...”
Acho que vou por esse meu passeio no curriculum, vai que assim fica mais fácil de arranjar um emprego.

Lucas

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

U.E X Italia

Pra quem ja viu, veja novamente. Quem nao viu, vai ai um video totalmente real!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Vou dizer algo sobre as portuguesas:elas são feias e se vestem mal.

Redação:Meu primeiro dia na escola

Foi muito boa a aula ontem, o cara mostrou o que é que Coimbra tem.Aula de finanças públicas, direito comparado na veia.O português dele é inteligível e a sala de aula parece de filme,do Harry Potter pra ser mais precisa.A faculdade de Direito em si parece saída de Hogwarts, com corredores, pessoas vestindo capas negras(os trajes, que aqui são usados por todos os quinto-anistas) e locais que vão dar em outros locais inesperados, bem como outros locais que ninguém sabe pra que servem.É muito legal.

Depois da aula eu e a Lô fomos pra casa, no caminho, descendo para a Praça da República, onde, inclusive tem um viaduto de pedra que fica maravilhoso à noite, encontramos o Lúcio e o Leiulson, do mestrado do Direito, conversamos um pouco, o pessoal combinou uma feijoada(to fazendo mais coisas brasileiras aqui que no Brasil), mas não vai dar pra eu ir porque é a despedida da Mari e do Fandi.Também recebi um e-mail falando de um jantar Erasmus e festa brasileira no English(pub), mas, novamente , vai ser no mesmo dia da despedida.Além disso, festas sem o Lucas me deprimem.

Bom, chegamos em casa, conversamos com a Olga(espanhola), e o Lucas(que toca violão) chegou e foi ensaiar com o Rodrigo.Tocaram umas músicas, o pessoal jogou um papo fora, e eu morrendo de sono.Mas ainda tive o ânimo de colocar um dente de vampiro e ir assustar o Vini, que tava tentando dormir.Foi engraçado.

Bom, hoje foi normal, a chuva das 2 já passou(aqui é a Amazônia lusitana), fomos no supermercado, comprei 6 pastéis de natas(pastéis de Belém, para os não iniciados) por 2 euros, e vim pra aula.Teoricamente teria aula agora, mas não to afim de ir.Acabei de falar com o Lu, e isso por si só já me deprime.Saudade é phoda.

Bem...o Canotilho.Ele é legal mas é luso né.Diálogo da Lorena com ele:

"professor, a gente pode trocar de turma?"

"vcs tem que falar com o outro professor"

"mas se ele disser que pode, tá tudo bem pro sr?"

"não posso falar que está tudo bem.Falem com o outro professor"

"sim, mas se ele falar que tá tudo bem , tá tudo bem pro sr tb?"

"não sei, falem com o outro professor, ele quem sabe, não posso falar que tudo bem"

Juro pra vcs que todo diálogo aqui é assim, até eles entenderem o que a gente tá falando demoram horas.Phoda.

Já tive várias, inúmeras conversas assim.Todas com portugueses(as), é incrível.É uma nação de espertos mesmo.

Mas pelo menos construíram cidades lindas como essa aqui.

Do dia 12/02 - provavelmente as 5 horas da manha.

(Uma breve explicaçao sobre meus horarios: Eu nao tenho! Primeiramente porque meu relogio pirou o cabeçao na primeira maquina de raio X que ele passou, no aeroporto de Sao Paulo. Entao eu acompanhava as horas pela minha maquina fotografica, mas deixei em Coimbra com a Naiara, a dela pifou e eu ja nao tenho muita coisa pra fotografar aqui em Roma. Desde entao, fico totalmente perdido. Chego em casa e jà è escuro, entao nao sei se è 18horas ou se sao 22h... por via das duvidas eu durmo. Algumas vezes acordo e ainda ta tudo escuro e me pergunto "Serà que eu ja dormi o suficiente? Se considerar que eu fui dormir as 19horas entao sim... mas e se eu fui dormir a meia noite?", por via das duvidas eu durmo de novo. Mas as vezes eu nao consigo dormir e fico acordado esperando o Sol nascer, mas eu canso de esperar e acabo dormindo. Agora eu ja aprendi olhar as horas pelo angulo que o Sol bate nos predios em frente a minha janela. Mas quando nao tem Sol, è aquela confusao. Eu moro bem no centro de Roma, e de madrugada faz tanto silencio que eu nem consigo dormir. To acostumado com a balhureira do centro de Uberlandia, seja de dia ou de noite. E quando começa amanhecer e começa a ter movimento, eu durmo... minha cabeça ta uma piorra. Essa noite eu acordei de repente me perguntando "po... to a quase um mes aqui e ainda nao vi um posto de gasolina... nao faz sentido..." , isso nao tem muita coisa haver com o que eu estava dizendo, mas soh pra completar o raciocinio, hoje vindo pra ca fiquei observando os carros e vi que grande parte deles nao tem escapamento, muitos sao carros eletricos... legal nè? Mas enfim...)

Agora sim, do dia 12:

As pessoas ja pararam de me responder em ingles quando faço uma pergunta em italiano. Ja consigo levar uma conversa de forma razoavel, entao ta na hora de arrumar um emprego.
Pra saber por onde começar fui atè uma cafeteria aqui perto de casa onde trabalha um brasileiro, pedi um capuccino e troquei umas ideias com ele. Me falou pra eu procurar mais em bares que eles sempre precisam, mandou eu ir no Posta pegar meu kit permesso ja pra deixar tudo pronto pra quando chegar meus papeis pra cidadania. Falou para que eu procurasse uma mulher que trabalha em uma pizzaria na Via Otaviano, "dizem que ela arruma emprego pra todo brasileiro. A pizzaria soh abre a noite, mas eu nao sei o nome de là, muito menos da mulher."
Depois passei em alguns lugares e dois deles pediram que eu levasse o Curriculum. Vou fazer um aqui, mas nao tenho telefone, sim... ficou na mochila que eu perdi. Pedi para que a Naiara me enviasse ele, compro um chip aqui e tà tudo beleza.
Fui pra aula e troquei umas ideias com o Glauber, brasileiro do Parana, que começou a dar entrada na cidadania. Bom que eu faço o mesmo trageto e nao perco tempo tentando entender o processo. Aos poucos as coisas vao dando certo e se ajeitando.
Depois da aula eu nao estava afim de ir pra casa. O Glauber tambem nao. O Luis apareceu e falou a mesma coisa.
Passamos no supermercado, arrematamos uma grande garrafa de vinho e abrimos ela em frente ao Coliseu. Fomos embora soh mais tarde, quando o frio ficou insuportavel... e quando a garrafa de vinho acabou.

Do retorno a Roma

Dia 09(Caramba, to atrasado em atualizar isso...), entrei no trem e observei lentamente a imagem da Naiara sumindo, dando espaço pra paisagem de Portugal, que pra mim, nao tem muita diferença com o cerrado brasileiro. Entao eu apaguei. Acordei nao sei como, mas as pessoas estavam terminando de sair do vagao. Levantei e desci tambem, sem ter a certeza de que ali era Porto. Depois descobri que era. Peguei o metro que cruzou a cidade e me deixou no aeroporto, onde eu fiquei là passando o tempo, e dormindo.
Conversei com um cara da alfandega sobre abonar os impostos das mercadorias que eu pago, um negocio que a Naiara tinha me dito. E nao è que funciona mesmo?
Chama tax free. Todos os estabelecimentos conveniados com o Tax Free podem te dar um recibo tax free que voce tem que pedir, caso contrario nao te entregam, e quando voce for deixar a Uniao Europeia, voce passa no posto da alfandega, apresenta as notas e o produto que voce comprou e pronto, o dinheiro surge pra voce novamente. Os impostos chegam ser ate 10% do produto, è uma boa pra quem quer vir aqui e comprar eletronicos.
Depois de varias horas embarquei no aviao e zarpei pra Girona... e nao pretendo voltar là.
Em Girona inventei de gastar um pouco mais e comer um pouco melhor. Pra isso, sai do aeroporto nos 2°C e caminhei por uma estradinha escura e nebulosa durante uns 5 minutos, onde falaram que havia um restaurante. (eu conversando espanhol è uma piada). E realmente havia... El Mirador. O lugar parecia uma churrascaria. Sentei, pedi o cardapio e ao abrir eu tive a certeza de que realmente nao sabia falar espanhol.
Escolhi um negocio là... o mais barato. 7€. Assim que eu sentei na mesa colocaram pao e agua os quais eu devorei. Se o que eu pedisse fosse pouca coisa, entao ja vou aproveitar e me encher um pouco mais.
Fiquei assistindo um jogo do Barcelona com nao sei quem, numa TV no canto do restaurante. Os garçons tambem assistiam... e acho que os cozinheiros tambem.
Chegou o meu prato com um pouco de porco morto, alguns alfaces e 3 lulas semi-cruas... juro que uma delas olhava para mim. Meu estomago deu uma reviravolta. Se eu tentasse comer ao menos o alface, eu vomitava. Chamei o garçom e perguntei as horas. "11 horas" - me respondeu. "Meu Deus - cara de assustado - è mesmo, aqui na Espanha avança 1 hora... eu estava em Portugal e meu relògio ta errado. Eu tenho que ir, tem como voce embrulhar pra mim?". Embrulhou, paguei, voltei pela estradinha sombria e arremessei aquilo longe. Comi aquelas coisinhas do aeroporto mesmo.
Tentei dormir mas nao conseguia. Rolava pra um lado e pro outro e lembrava do olhar da lula. Vontade de vomitar.
Ao amanhecer tomei um cafè pra melhorar um pouco meu estomago. Comi uns paes e realmente melhorou. Mas depois contei o meu dinheiro, e me restavam apenas 5€.
Entrei no aviao e cheguei em Ciampino.
"Quero uma passagem pra Roma!"
"Sao 8€"
"Uè... mas eu tinha pagado 6 pra vim."
"Foi uma promoçao, agora è 8"
"Eu so tenho 5"
"Entao usa o transporte publico"
Viva! Ela me apontou um onibus que ia ate o primeiro ponto de metro de Roma. Pra chegar na minha casa gastei soh €2,50. Com os outros dois comprei um pedaço de pizza. Ah! A pizza! Que delicia!
Na cidade estava acontecendo uma parada chinesa... em todos os sentidos. Com dragoes, danças e tudo mais. Assisti um pouco, e as 17hs apaguei na cama. Acordei no outro dia com o Sol nascendo.

Lucas

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O retorno da mochila lisboeta

Então.

Ontem fui buscar a mochila.Mas como tudo que é luso tem que ser complicado, acordei às 9 , e só tinha intercidades(comboio, trem) às 13:45.Eu e a santa Lorena ficamos esse tempo todo na gare de Coimbra A (porque tem Coimbra B, que é da onde saem todos os intercidades, de Coimbra A só sai pra Coimbra B.É luso mesmo), comendo chocolate e conversando besteiras.
Bem, chegou o comboio, fomos embora e tal, chegamos na Gare do oriente, que é a estação de trens mais linda do mundo(confiram no Google Earth se quiserem detalhes mais precisos, tenho aula daqui a pouco, infelizmente não vim aqui só pra passear), principalmente à noite, quando fica toda iluminada.Me parece o Canadá(ou o que eu imagino que seja o Canadá), não sei porque.

Bem, chegamos lá às 4 e pouco, ligamos pra Lusa que aprontou uma confusão pra anotar o número do cel da Lo(o meu tinha acabado a bateria), mas mandou a gente ir para Ameixoeiras, estação de metro.Cheguei lá, esperei um pouco e apareceu um tio luso com a mochila do Lu.A partir daí eu podia perder meu passaporte, mas a mochila não.

Detalhe que as placas de indicação do metro são complicadissimas.Ontem a gente foi procurar a estação de Rato e tinha uma placa indicando acima, outro ao lado e outra na direção oposta.No final, o certo era descer.

Comemos no Mac, o último comboio saia às 21.Tava uma chuva do cão, um frio do inferno, mas pelo menos na gare tinha uma feira de livros ótima.Pena que minha situação financeira não me permita comprar livros.5 euros são dois almoços e um pastel de Belém na cantina.

Fomos tomar um chocolate quente.Chegamos no sical(bebes) e vimos a tabela "bebidas quentes" ,dentre elas um chocolate quente por 1 €, pedimos o chocolate.A mulher pegou duas garrafinhas da geladeira e a gente perguntou :
"Mas o chocolate quente não é quente?"
"Não.Gelado"

Lusos.Phoda.

Chegamos em casa lá pela meia noite, fomos tomar banho e comer alguma coisa, peguei um pouco de resfriado e fomos dormir lá pelas 3.Não conseguimos acordar pra ir na aula cedo,e , ainda bem, porque elas foram canceladas.O frio está negro hoje.

Amanhã temos que falar com o Canotilho pra ver se podemos mudar de turma na aula dele.Uhu!

Esse povo tem uma dificuldade de entender as coisas que é triste.Eles não entendem nada que seja dito com uma pequena diferença de linguagem, nem nada que tenham que interpretar, ainda que minimamente.Não é brincadeira não, é sério mesmo.Quando cheguei achava que era onda do pessoal do Brasil essa história, mas meu Deus, é verdade.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Piadinhas

"De onde voce è?"
"Brasil..."
"Kàkà, Ronaldinho."
"é...é... e voce?"
"Holanda..."
"Maconha, prostitutas."
"é...é... eu sei"
(primeiro dia de aula, durante o intervalo)

"Adivinha o que eu vou almoçar hoje! Voce tem duas chances."
(um brasileiro zoando o variado cardapio italiano)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Alfândega sucks

Ah...Aproveitando a deixa do Lu, vou contar da alfândega.
Bem.Eu não tenho visto de estudante, no Brasil a opção era tirar o visto ou passar de ano.Então cheguei feliz e contente em Lisboa e fui passar na alfândega.O carinha:
"O que vc veio fazer aqui?"
"Estudar"
"Onde?"
"Em Coimbra"
"Cade seu visto?"
"Não tenho, vou tirar aqui"
"Nem pensar,não posso te deixar entrar assim não"
"Ah não moço, deixa eu entrar como turista , se não der certo eu volto antes"
"Sua passagem de volta tá marcada pra quando"
"Pra daqui a 3 meses"(o que é uma mentira, óbvio)
"Tá bom, entra vai"
Nossa.Eu senti um alívio tão grande que fui embora quase correndo, com medo dele me chamar e dizer que tinha mudado de idéia.Fiquei tão lesada que sai da alfândega sem pegar a minha mala.Aí eu tive que pedir para um funcionário ir comigo pegar e passei pela anfândega DE NOVO.Mas desa vez disse que tinha vindo visitar meu avô.Fiquei com medo do cara ir conferir com o amigo dele que me passou pela primeira vez, mas ele só revistou a minha mala e ficou de boa.
Aff.Cada uma viu.Como diz o meu pai(que ficou sabendo da história da mochila, graças a vcs amigos, muitíisssimo obrigada), os distraídos se atraem.
Lama.

My dream is to flight

Olá companheiros.

Eu sei que ninguém quer ler as minhas postagens, que a Itália é muito mais legal que Portugal ( o que eu, particularmente discordo, acho até que o Lu deveria mudar pra cá), mas vou falar mais um pouco de Coimbra.

Coimbra is nice, i like it.

Fim.


Não, brincadeira.


Coimbra vive de estudantes, respira universidade , universitário aqui é rei.Ontem fui na festa Erasmus, de recepção aos estudantes, grande parte brasileiros.Mas também há poloneses (e as polonesas, sim, são lindas galera), franceses(dentes podres) e italianos(sim Fernanda, para quem gosta de mini pessoas, eles são bonitos e dão em cima de brasileira adoidado).

O pessoal é bem legal , divertido.Os meninos da república são hilariantes, principalmente o Fandangos(vc é lama Fandi) que é uma mini pessoa muito legal(Vinicius e Rodrigo, adoro vcs tb).A Lo, com aqual divido quarto é uma amorzinho, um doce mesmo.Tem o Lucas também, amigo nosso que toca violão bem até e canta nos barzinhos aqui.Ou seja, todos os brasileiros(as) aqui são ótimos.

Nas festas aqui a mania do povo é virar tequila e absinto(que é legalizado), mas antes sempre tem um esquenta com vinho(nossa, Moscatel é bom demais.Finalmente um vinho gostoso) ou calhemucho(vinho com coca cola).É lógico que tem o vira vira vira, que aqui é cantado assim:

"Se você quer ser cá da malta
Tem que beber esse copo até o fim
até o fim
E vai acima e vai abaixo e vai ao centro
E vai pra dentro e vai pra dentro"

A musiquinha é legal.Falando em música, o que bomba por aqui (além das músicas brasileiras) é uma que tem um refrão "My dream/is to flight/over the rainbow/so hight" ou algo que o valha.Nunca tinha escutado.

Vou almoçar.Não fui buscar a mochila doLucas porque a lusa falou pra eu ir amanhã.

Caramba viu, essa história de que português é burro tem muito fundo de verdade.Mas depois comento isso.

Hasta!

Da mochila

Pra esclarecer totalmente esse lance da mochila, eis aqui a historia:
Era dia 08, e iamos pra Coimbra. Pagamos o sr. Frances dono do albergue e fomos descer a escadaria com A Mala. A bagagem da Naiara pesa mais de 30kg.
Coloquei minha mochila nas costas e fui descer a mala, enquanto a Naiara descia com o restante das coisas que era edredons, travesseiros e uma outra mochila com roupas.
Na Ryanair, se voce tem bagagem voce paga mais. Entao levei sò uma mochila pequena mesmo, nem peso tinha. Eu mal sentia ela nas costas.
Enfim, desci a mala. A Naiara ainda levou um escorregao e caiu de bunda hehehe, (desculpa amore... mas foi engraçado). Chegando no metro, mais escadas pra descer. Jà bateu aquele desanimo. Descemos... plataforma errada... subimos... e descemos novamente...carregando 30kg... eu atè jà estava triste. Eram muitas escadas.
Chegamos na plataforma, e tinha um banquinho... daqueles de praça... sentei e tirei a mochila, tirei a blusa, e sò nao tiro os tenis porque nao ia dar tempo de colocar denovo quando chegasse o mètro. (Tà Junin... pode zoar...pezao e tal ha ha ha).
E ele chegou... abriu as portas e eu sai correndo com a super mala pra entrar no metro antes que ele partisse. Aquele tanto de gente, todo um empurra empurra. Foda! Entramos, eeeeeee, comemoraçao e cansaço.
Descemos na estaçao que eu nao me lembro o nome e putz... cade minha mochila? Oh Meu Deus, Oh Meu Deus, me roubaram? Mas como? Tava aqui? Nao... eu tirei? Tirei! Onde? La! La? La! Nah, senta ai e me espera! Beijos e atè daqui 1 hora!
Troquei de plataforma, peguei o trem e voltei pra estaçao onde estava. Bosta, a mochila sumiu. Corri atè na central da estaçao. Moça, voce trabalha aqui? "Sim" Viu uma mochila ali no banco? "Era uma mochila assim assim?" Sim! "Que tinha um negocinho assim, e uma cor assim?" Sim, Sim! "E que tava ali...?" EH! "Vi" Voce pegou? "Nao, duas senhoras pegaram e entraram pra dentro do mètro!" Poxa, e agora? "Agora a mochila è delas"
... Pausa... pensamentos... naaaao, sera que ela acabou de me falar isso mesmo?
"Olha... na maioria das vezes, quando acontece isso, as pessoas costumam deixar na estaçao que elas vao descer..."
...Pausa... pensamentos... porque serà que elas nao deixam na estaçao que encontraram?
"Da uma ida nas outras estaçoes e pergunta"
Foi isso o que eu fiz, mas depois de 2 estaçoes me veio a genial ideia de pedir para que o carinha que trabalha na estaçao ligasse nas outras e perguntasse por uma mochila. Ligaçoes, ligaçoes, ligaçoes, "nao... desculpe, nao deixaram em nenhum lugar. Mas todos os achados e perdidos vao pra estaçao Marques de Pombal" Entao vou là! "Mas os achados e perdidos abre sò segunda feira." Mas eu to indo embora agora! "Eh... entao voce pode ligar aqui na segunda, esse è o numero."
O que eu faço, o que eu faço, Oh Meu Deus, Oh Meu Deus... policia! Revirar esse metro! Circuitos internos de TV e etc. Agora eu pego essas lusas malditas.
Sai do Mètro. E onde è a policia? "pra làa" Onde è a policia? "mais pra là" Onde è a policia? "Ali!" Policia!
... 2 pessoas paradas em frente um balcao... 2 pessoas sentadas em um banquinho, 3 policiais atras do balcao olhando 1 computador..., eu e o som do cooler do computador.
1 minuto... 2 minutos... 3 minutos... aaaaarrrrghhh... 5 minutos! Ali... um policial fumando là fora!
"Policia... eu perdi minha mochila!"
"... (solta fumaça da boca, abaixa o cigarro, olha pra mim e) perdeu, perdeu..."
"..."
"Onde?" No metro, foi assim assim assado, e eu acho que me roubaram porque duas senhoras e bla bla bla.
"Nao... isso nao è roubo... isso è estravio!"
"Tà... mas o que eu faço... tinha um passaporte e bla bla bla"
"Pra olhar o seu problema vai levar a tarde toda, entra la e faz o registro."
Entrei... e o mesmo cenario. Perguntei pras 2 pessoas que estavam sentadas o quanto tempo estavam ali. "30 minutos, um pouco mais". Tchau! Foda-se policia! Seguro! Sim, seguro de bagagem! Qual è o telefone? Ah sim! Aqui! Cade um telefone? Ah sim... ali!
"Perdi minha bagagem?"
"Aeroporto?"
"Nao, metro de Lisboa"
"Nao... a gente so cobre no aeroporto, mas liga em tal lugar..."
Liguei e achei uma mulher afim de ajudar. Ela ficou de ligar no metro, liguei 3 horas mais tarde pra ela e ainda nao tinha encontrado. Mas isso foi depois. Continuando...
Bosta... perdi a mochila mesmo. Bom... vou esperar segunda feira e torcer pra estar na marques de pombal. Retorno na estaçao. Oi amor! Nao achei, vamos embora! Tchu tchu tchu... trem - coimbra, eeeeee....
Republica, oi oi, prazer, hm, sim... tah. Banho, vamos no shopping? Vamos... ver um filme e tal? Beleza! Ligaçao, casa:
"Valha-me Deus! Que bom que voce ligou, o que aconteceu com sua mochila?"
"Caramba... como voce sabe?"
"Uma mulher ligou pro Euclides, que ligou aqui e avisou que voce perdeu a mochila!"
Ufa! Retire o que eu disse sobre lusas malditas! Que bom! Achou!
E neste exato momento provavelmente a Naiara Amore Mio està em Lisboa resgatando a estraviada!
FIM!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Da ida a Lisboa

A minha ida pra Lisbona foi o momento mais On The Road da minha viagem.
Tudo começou no dia 05, acordei cedo, 8h da manha, morrendo de sono porque fui dormir as 3horas da manha. Culpa do Andrea que veio bater na porta do meu quarto a meia-noite me chamando pra assistir um filme eu, ele, um amigo dele e a Virginia, a italiana que mora aqui na casa. (American Gungster... dublado)
Acordei e fui num orelhao ligar pra Naiara. Ela ainda estava dormindo quando atendeu o telefone. Desejei uma boa viagem e fui preparar a minha.
Arrumei minha mochila com algumas roupas e um cafè da manha. (Roupas essas que venho a perder depois, junto com a mochila, como toooodos ja sabem). Meu cafè da manha consiste em 1 croassant (eu compro um pacote de 6 no supermercado por 1,50€) e agua.
Fui pra escola, sai na hora do intervalo, peguei o busao e desci no aeroporto.
No aeroporto de Ciampino fiz o check in e no papel estava escrito: embarque 19;25. Meu voo saia as 20hs. Logicamente pensei que era pra entrar pra sala de embarque as 19:25.
Entrei, andei pelas lojas la dentro e sentei em um dos bancos perto do portao que eu ia embarcar. Tempos depois escuto um anuncio em um italiano desesperado, no qual eu entendi apenas: "garcia nuncentz desossa". Sabe-se là o que è isso. Ao anunciar em ingles a ultima palavra foi "disouzei". Parei, pensei "serà que estao tentando falar de Sousa? Naaao..." Tempos depois o anuncio de novo. Entao levantei, fui ao portao de embarque e falei que eu era o de Sousa. A mulher me fuzilando com os olhos exclamou " Ta um pouco atrasado, nè?" Dei uma de perdido, ela deu um sorriso falso e voltou a ficar sèria no mesmo instante. Pegou o radio e falou que tinha encontrado o De Sousa. Chamou um onibus, entrei... onibus vazio. Desci na frente do aviao onde me esperava um time de pessoas com a cara fechada: o capitao, uma aeromoça que segurava a porta pronta para fecha-la e um cara que retirou a escada assim que eu pisei no aviao.
Sentei, fechei o sinto e o aviao zarpou, deixando para tras as outras 2 pessoas que nao encontraram.

A Ryanair è a cia aerea mais barata, e nao era de se esperar que fosse uma Tam, mas tambem nao sabia que era um camelodromo ambulante. Là dentro eles vendem comida, lembrancinhas, ticket de transporte e ate bilhete de loteria, com direito a publicidade radiofonica:
"Chegou a sua vez de tornar-se um milionario. Compre agora os tickets ryanairgoodluckplus e concorra a 1 milhao de euros. è isso mesmo, 1 milhao de euros... nossos auxiliares de bordo passarao agora..."
E a cada pouso è uma emoçao. Facilmente percebe-se que o piloto è um estagiario.

As 22hs estava em Girona, Barcelona... morrendo de fome. O sagua o deste aeroporto è bem menor que o de Uberlandia. Tanto è que havia apenas uma lanchonete, e a coisa mais custoXbeneficio que eles tinham para vender era umas bandejinhas, comida de aviao, fria. Comi e comprei um pao oco pra ver se cobria mais um pouco do estomago.
Depois disso fui procurar um lugar pra dormir. Mais ao fundo encontrei varios grupos de 4 cadeiras, sentei em uma delas, coloquei minha mochila do lado, olhei em volta desonfiado pra ver se nao teria problema de deitar ali, quando do nada chega um velhinho no grupo de cadeiras ao lado, deita e apaga. Fiz o mesmo. As cadeiras nao eram muito confortaveis, as laterais ficavam pegando nas costelas e os braços pendiam pra fora. Mas com o cansaço que eu estava... meu sono ainda foi embalado por um jazz, daqueles que tocam nos filmes quando o mocinho està deprimido em um bar quase fechando, tomando um wisky.
Acordei as 3 da matina, desesperado pensando que tinha perdido o aviao. Mas enquanto isso, o velhinho mandava ver na sua sinfonia do ronco e uma legiao de pessoas dormiam em todo o saguao. Nao sabia que era uma pratica tao comum. Algumas delas carregavam uns tapetes de borracha, com mais ou menos 1 cm de altura, no comprimento de um colchao, um pouco mais estreito. Estendiam e puxavam a palha. Outros enfiavam num saco de dormir. Cada um se ajeitou do seu jeito. Tirando o velhinho, todas as pessoas que la estavam eram grupos de jovens, que, ao amanhecer, a grande maioria entrou pra dentro da cidade ao inves de fazer o check in e pegar outro voo. Creio eu que: como a maioria dos voos baratos sao a noite, eles chegam na cidade e para nao ter que gastar dinheiro com taxi, e ou ainda procurar albergue de madrugada, dormem por ali mesmo. (Galera do mochilao, venham preparados, è provavel que iram dormir em aeroportos).
Tomei o meu "cafè da manha" croassant que eu tinha levado e agua que eu tinha comprado, e as 4hs fui fazer o check in, que sempre começa 2hs antes do voo, e ja entrei pra sala de embarque.
Ao fazer o check in eles me entregaram alguns papeis com as novas normas do aeroporto e um outro papel que tinha as datas e horarios dos meus voos. Mas foi so na sala de embarque que eu fui reparar que minha data de retorno estava errada. Assim como o meu nome: eu nao me chamava Luis... muito menos Jader. Entao eu lembrei dos dois brasileiros que estavam na minha frente na fila e fizeram o check in juntos. Com certeza era deles... Ao ve-los na fila de embarque eu os chamei pelo nome. Eles me olharam com aquela cara de "puta... da onde esse cara me conhece?" Expliquei para eles o que tinha acontecido, mas eles tinham perdido o meu papel. Bom... aquilo nao era importante mesmo, mas isso tudo foi essencial pra eu economizar uma boa grana.
Chegando no aeroporto de Porto (muito bonito por sinal) fui tomar um cafè... cafè CAFE que nao tomava ja a quase 2 semanas, desde o dia que eu cheguei e o italiano me recusou a vender pra eu comer com o pao.
0,85€. Que beleza! Barato! A mulher colocou uma xicara na minha frente e foi atender outra pessoa. Ainda fiquei parado um momento esperando ela me servir antes de perceber que la no fundo da xicara, tinha uma coisinha liquida escura. Engoli o cafe e sai em busca do balcao de informaçoes pra me dizerem como eu poderia ir pra Lisboa de uma forma barata. E nessa procura encontrei novamente o Jader e o Luis que tomavam um cafe da manha.
"O pà"
"Opa... e ai" disse eu
"Ja comeu alguma coisa?"
"Ja... comi la em Barcelona"
"Nao rapaz... pega alguma coisa la pra voce e senta aqui com a gente... por nossa conta..."
"Nao cara... pode deixar"
Depois de tanto eles insistirem e de terem rido do meu "cafe da manha croassant e agua", aceitei o convite e comi um sonho gigante tomando um cafe com leite no eles pagaram.
Jader e Luis sao dois goianos que vieram pra Europa ganhar dinheiro. Aquela tipica historia do brasileiro que tenta a vida no exterior. Trabalham como pedreiros aqui, um esta apenas a 1 ano e meio e nao pensa em voltar, o outro està a 3 anos e "se deus quiser no final do ano eu to no Brasil". O Jader, que esta aqui a mais tempo, conseguiu arrematar algumas casas de aluguel no Brasil. Com esse trabalho eles chegam a tirar ate 2.500€. "Quando eu poderia ter a qualidade de vida que eu tenho aqui, ganhando o tanto que eu ganho no Brasil?" diz Luis justificando o nao retorno. Sao dois amigos figura. Cada um mais engraçado que o outro. Estavam em Porto porque iam no consulado pegar uns papeis que permitiam a eles morar na Europa de forma legalizada.
E eu falei pra eles porque eu estava là.
"Uai, entao vamos com a gente no consulado porque de là a gente vai pra estaçao porque temos que ir pra outra cidade e voce nao precisa gastar dinheiro com taxi."
Aceitei!
Chegando no consulado havia umas 5 pessoas na porta esperando abrir. Todos brasileiros. Cada um contando a sua historia de sofrimento e conquista. E eu contei a minha, e de como eu tinha parado ali no consulado.
"Voce vai pra Lisboa de trem?" - perguntou um deles logo apos eu ter exclamado seu questionamento.
"Vou"
"Nao cara... voce vai gastar uns 30€ e vao ser umas 6 horas de viagem..."
Foi que um outro falou:
"Hm... la pelas 13hs eu to indo pra Lisboa de carro, se voce quiser uma carona..."
Aceitei!
Todos brasileiros se ajudam muito. Cada um dando dicas sobre o que fazer pra conseguir a documentaçao tal ou ate mesmo indicando pra outro emprego. Trocam telefones e desejam sorte.
O Jader e o Luis ainda me levaram numa lanchonete e me empanturraram de comida. De todo o tempo que eu estou aqui na Europa eu nunca comi tanto como as poucas horas que passei com eles.
"Come cara, a gente sabe que voce vai comer agora so quando chegar em Lisboa! E guarda seu dinheiro que voce vai precisar dele!" (Realmente precisei!) Me passaram o tel deles. "Se precisar de alguma coisa è so ligar..." Agradeci por tudo e eles seguiram o caminho deles.
Por volta das 13hs eu estava no carro com Silvano e sua familia indo pra Lisboa.
Eles moram la a 7 anos e tinham ido em Porto buscar uns documentos que lhes tornavam portugueses. O Silvano trabalha em um restaurante, a sua mulher em um escritorio. Pensam em voltar ao Brasil so pra passar as ferias, como ja o fizeram .
Durante a viagem o Silvano me falava sobre como era mais facil emprego ali a tempos atras, que hoje esta começando a ficar saturado. Eles me falavam sobre a facilidade de comprar um carro, um computador e etc.
"Aqui compensa mais comprar um carro 0 do que mandar arrumar o carro."
Fizemos uma parada em Espinhos, vimos as belas praias e por volta das 5horas da tarde estavamos em Lisboa.
Ele me levou ate na rua do albergue que eu ia ficar, pra eu economizar ate com metro. Pediu pra eu anotar o seu telefone pra qualquer coisa.
"...ate mesmo se a imigraçao tiver barrado sua namorada, me liga que eu posso ajudar..." (o que quase aconteceu por sinal)
Agradeci por tudo e pus os pes em Lisboa, ali, na esquina da Almirante Reis com a rua dos anjos... sem gastar nada!


Lucas